Tenho uma filha de três anos que não é fácil. Depois dela comecei a compreender de forma diferente a expressão ''não é fácil''. A menina tem pergunta pra tudo e não se contenta com qualquer resposta. Depois que ela começou a falar, e isso foi há muito tempo, parece que virou minha vida de cabeça para baixo. Nenhuma explicação a contenta e eu me vi buscando sentido distinto para coisas que antes pareciam simples. Um dia, perto da casa da avó, em Cianorte, ficou espantada com um cavalo comendo sozinho e quis saber como o animal conseguia tal façanha. ''Ora, porque ele é grande, respondi'', certa de que finalizaria o assunto e ainda teria gancho pra dizer que já era hora dela comer sozinha também. Viva a nova pedagogia.
Mas o tema não estava encerrado. ''Mas por que ele é grande ?'', perguntou a menininha. Para não cair na tentação do ''porque sim'' tão utilizado pela minha mãe e irmãs mais velhas quando eu era criança, disse que o cavalo nasceu bebê, depois cresceu e ficou grande. Ela se contentou com a resposta por dois segundos e, na lógica dela, parece que entendeu muito bem: ''Quando eu crescer eu também vou ser um cavalo'', disparou.
Me senti muito culpada por não ter uma lógica tão boa para explicar as coisas. Mas os desafios não param por aí e parece que, na minha posição de mãe de primeira viagem, vou ter ainda muitos a cumprir. Nessa etapa, por exemplo, estamos discutindo a importância do banheiro. Uma coisa tão simples para os adultos, mas tão complicada de entender para ela. Por que mesmo é preciso parar tudo o que está fazendo, se levantar, ir até o vaso, abaixar a calça, sentar e só depois voltar a brincar? Numa dessas ''escapadas'' falei firme: ''Minha filha, posso saber porque você não foi ao banheiro''. Ela notou o estrago, mas tinha resposta: ''E você por acaso perguntou se eu queria ir? Perguntou?''

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