Ligação afetiva
Lucélia Newton, 46 anos, relações públicas, define-se como muito urbana. Nasceu no Centro de Curitiba. Até os cinco anos de idade, morou numa casa na Rua Vicente Machado e lembra bem dos passeios com o vovô pela Praça Osório e Rua XV. ''Ele me levava para comprar chocolate Prestígio, que eu adorava. Naquela época, há 40 anos, o Centro era muito tranquilo, era como se hoje estivesse num bairro da cidade'', relata. De lá, ela saiu para o Capanema e depois para o Alto da XV.
Aos 21 anos, quando ingressou na Universidade Federal do Paraná, voltou para o Centro bem pertinho da Reitoria. ''Era muito vantajoso porque estava tudo ali na mão. Faculdade, padaria, comércio. As saídas com os amigos eram geralmente no Centro, porque tudo acontecia aqui, onde ficavam os melhores barzinhos. O Pascoale reunia estudantes e intectuais no Passeio Público'', conta Lucélia. ''Quando me casei morei sete anos na Água Verde. Muito infeliz, porque não tinha identificação com o bairro. Quando me separei, voltei para o Centro'', completa.
Lucélia foi morar perto do Círculo Militar. ''Para mim é importante a ligação afetiva com o lugar. Conhecer o dono da banquinha de jornal pelo nome. Faz muita diferença'', acredita ela, que morou ainda três anos na Desembargador Mota até conseguir alugar um apartamento no Edifício Passeio. ''Sempre quis morar lá. Meu apartamento é no oitavo andar, acima da copa das árvores, que abafa o barulho. De manhã é um silêncio, escuto apenas os pássaros. É incrível morar diante dessa paisagem e ter todas as facilidades do Centro'', disse.
Ela acorda, todos os dias, cedinho para caminhar no Passeio Público, e depois caminha até o trabalho, na Prefeitura de Curitiba. '' As pessoas têm a impressão de que à noite aqui fica vazio, que é perigoso. Mas não é. Muitos locais são super movimentados, como a Presidente Farias, Carlos Cavalcanti, a Santos Andrade'', informa. ''Daqui eu não saio porque tenho qualidade de vida. Amo o Centro'', finaliza. (F.G.)





