Ocupando a liderança nacional na venda de massas, a indústria londrinense Selmi quer crescer ainda mais este ano. Espera fechar 1997 com o total de 23 mil toneladas de massas vendidas, o que equivale a 1.900 toneladas por mês, segundo o gerente de vendas da Selmi, Clayton Galeano. Essa produção significa crescimento de 20% em relação a 1996.
Galeano explica que o aumento de produção da Selmi deve-se ao lançamento do macarrão instantâneo em agosto do ano passado e que agora já tem sua distribuição consolidada em quase todo o País. ‘‘No início o instantâneo estava sendo vendido apenas nas regiões de Londrina e Maringá. Agora, estamos abrindo distribuição em quase todas as capitais, que se encarregam de levar nossas marcas para o interior de seus Estados’’, diz.
Pesquisa Nielsen de março/abril revela que a Selmi lidera a venda de massas no País, com 9% do mercado. No Sul - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul -, a fábrica é responsável por 19% das vendas de massa. No Paraná, onde é líder há muito tempo, a Selmi detém 45% do mercado. A Adria é a segunda marca em vendas, mas mantém a primeira posição em São Paulo, de acordo com Clayton.
Para ocupar essa invejável liderança, a Selmi tem investido muito em tecnologia nos últimos anos. Galeano lembra que o lançamento do Renata Superiore, em 1993, foi determinante para o crescimento da Selmi. Até 1993, o grupo tinha 90% de sua produção voltada para a linha Gallo, que é o macarrão semolado. Em 1993, a linha Renata, que produzia apenas o macarrão com ovos e representava 10% da produção da Selmi, ganhou mais um produto, o macarrão feito com grãos de trigo duro. Com isso, a Renata responde hoje por 30% do faturamento da empresa.
Para lançar novos produtos - como o Superiore em 1993 e o instantâneo em 1996 - a Selmi modernizou seu parque industrial. A produtividade hoje é 7% maior do que nos últimos três anos, de acordo com Galeano. Ele explica que, para a produção do instantâneo, a Selmi contratou mais 70 funcionários. Hoje, 350 pessoas trabalham no grupo.
‘‘A preocupação da Semi sempre foi com tecnologia. Hoje temos máquinas mais produtivas operadas por menos funcionários. Contratamos mais pessoal porque criamos novos produtos. Usamos tecnologia de ponta e aproveitamos melhor nossa mão-de-obra’, diz. O lançamento do Superiore, em 1993, ilustra bem o desejo de investir em produção, mesmo antes do Plano Real. ‘‘A busca pela qualidade levou a Selmi a investir num produto diferenciado, com preço acima do macarrão tradicional, num momento em que quase ninguém estava investindo em produção’’, ressalta.
Galeano afirma ainda que a abertura do mercado às importações coloca as empresas em pé de igualdade na busca por tecnologia. ‘‘Todas produzem macarrão em condições de igualdade, já que todas têm acesso à tecnologia importada. O que difere então é a qualidade. Só a qualidade leva o consumidor a comprar um um macarrão diferenciado, com preço um pouco maior, numa época em que os centavos são valorizados’’, avalia.
Segundo o gerente de vendas, investir em tecnologia é fundamental para as empresas que querem crescer. Ele elege o mercado interno como mais importante que o Mercosul. ‘‘O Brasil é o primo rico dos países do Mercosul. É o maior mercado consumidor. Então antes de querer exportar, as empresas devem se estruturar para solidificar as vendas no mercado interno. Os países vizinhos estão com seu parque industrial sucateado. A saída é ter tecnologia, profissionalizar a mão-de-obra e redistribuir renda, com participação nos lucros, para aumentar potencial consumidor dos brasileiros’’. A Selmi exporta 3% de sua produção. O restante é vendido aqui.
‘‘As empresas não devem se iludir com o Mercosul, que não vai resolver nosso problema de exportação’’. Ele defende uma reforma na legislação tributária, redução de juros e aumento da renda per capita no Brasil. ‘‘No resto, o caminho do governo está certo’’.
O Plano Real, na análise de Galeano, só trouxe benefícios. ‘‘Com a inflação alta, havia um ganho ilusório no mercado financeiro. Como esse ganho foi enxugado, as empresas passaram a investir em produção. Hoje trabalha-se com uma margem de lucro mais reduzida, mas é um ganho real’’.
Com mercado genuinamente brasileiro, a Selmi quer estar entre os grandes fabricantes de massas no País. Ele conta que na década de 60 havia cerca de 30 marcas de massa nos Estados Unidos. Em 94/95, esse número caiu para sete ou oito grandes marcas, que dominam 80% do mercado. ‘‘A tendência é ficar quem tem qualidade e competitividade. O mercado de massas tem a Barilla, a Parmalat. Queremos nos manter entre as fortes’’.RAIO X
Setor: Alimentos
Faturamento
- em 96: Não fornecido.
Produção mensal: 1.900 toneladas
Previsão de produção em 97: 23 mil toneladas
Funcionários: 350

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