Líder no País em venda de massas, Selmi deve crescer 20%
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Carina Paccola 
Ocupando a liderança nacional na venda de massas, a indústria londrinense Selmi quer crescer ainda mais este ano. Espera fechar 1997 com o total de 23 mil toneladas de massas vendidas, o que equivale a 1.900 toneladas por mês, segundo o gerente de vendas da Selmi, Clayton Galeano. Essa produção significa crescimento de 20% em relação a 1996.
Galeano explica que o aumento de produção da Selmi deve-se ao lançamento do macarrão instantâneo em agosto do ano passado e que agora já tem sua distribuição consolidada em quase todo o País. No início o instantâneo estava sendo vendido apenas nas regiões de Londrina e Maringá. Agora, estamos abrindo distribuição em quase todas as capitais, que se encarregam de levar nossas marcas para o interior de seus Estados, diz.
Pesquisa Nielsen de março/abril revela que a Selmi lidera a venda de massas no País, com 9% do mercado. No Sul - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul -, a fábrica é responsável por 19% das vendas de massa. No Paraná, onde é líder há muito tempo, a Selmi detém 45% do mercado. A Adria é a segunda marca em vendas, mas mantém a primeira posição em São Paulo, de acordo com Clayton.
Para ocupar essa invejável liderança, a Selmi tem investido muito em tecnologia nos últimos anos. Galeano lembra que o lançamento do Renata Superiore, em 1993, foi determinante para o crescimento da Selmi. Até 1993, o grupo tinha 90% de sua produção voltada para a linha Gallo, que é o macarrão semolado. Em 1993, a linha Renata, que produzia apenas o macarrão com ovos e representava 10% da produção da Selmi, ganhou mais um produto, o macarrão feito com grãos de trigo duro. Com isso, a Renata responde hoje por 30% do faturamento da empresa.
Para lançar novos produtos - como o Superiore em 1993 e o instantâneo em 1996 - a Selmi modernizou seu parque industrial. A produtividade hoje é 7% maior do que nos últimos três anos, de acordo com Galeano. Ele explica que, para a produção do instantâneo, a Selmi contratou mais 70 funcionários. Hoje, 350 pessoas trabalham no grupo.
A preocupação da Semi sempre foi com tecnologia. Hoje temos máquinas mais produtivas operadas por menos funcionários. Contratamos mais pessoal porque criamos novos produtos. Usamos tecnologia de ponta e aproveitamos melhor nossa mão-de-obra, diz. O lançamento do Superiore, em 1993, ilustra bem o desejo de investir em produção, mesmo antes do Plano Real. A busca pela qualidade levou a Selmi a investir num produto diferenciado, com preço acima do macarrão tradicional, num momento em que quase ninguém estava investindo em produção, ressalta.
Galeano afirma ainda que a abertura do mercado às importações coloca as empresas em pé de igualdade na busca por tecnologia. Todas produzem macarrão em condições de igualdade, já que todas têm acesso à tecnologia importada. O que difere então é a qualidade. Só a qualidade leva o consumidor a comprar um um macarrão diferenciado, com preço um pouco maior, numa época em que os centavos são valorizados, avalia.
Segundo o gerente de vendas, investir em tecnologia é fundamental para as empresas que querem crescer. Ele elege o mercado interno como mais importante que o Mercosul. O Brasil é o primo rico dos países do Mercosul. É o maior mercado consumidor. Então antes de querer exportar, as empresas devem se estruturar para solidificar as vendas no mercado interno. Os países vizinhos estão com seu parque industrial sucateado. A saída é ter tecnologia, profissionalizar a mão-de-obra e redistribuir renda, com participação nos lucros, para aumentar potencial consumidor dos brasileiros. A Selmi exporta 3% de sua produção. O restante é vendido aqui.
As empresas não devem se iludir com o Mercosul, que não vai resolver nosso problema de exportação. Ele defende uma reforma na legislação tributária, redução de juros e aumento da renda per capita no Brasil. No resto, o caminho do governo está certo.
O Plano Real, na análise de Galeano, só trouxe benefícios. Com a inflação alta, havia um ganho ilusório no mercado financeiro. Como esse ganho foi enxugado, as empresas passaram a investir em produção. Hoje trabalha-se com uma margem de lucro mais reduzida, mas é um ganho real.
Com mercado genuinamente brasileiro, a Selmi quer estar entre os grandes fabricantes de massas no País. Ele conta que na década de 60 havia cerca de 30 marcas de massa nos Estados Unidos. Em 94/95, esse número caiu para sete ou oito grandes marcas, que dominam 80% do mercado. A tendência é ficar quem tem qualidade e competitividade. O mercado de massas tem a Barilla, a Parmalat. Queremos nos manter entre as fortes.RAIO X
Setor: Alimentos
Faturamento
- em 96: Não fornecido.
Produção mensal: 1.900 toneladas
Previsão de produção em 97: 23 mil toneladas
Funcionários: 350


