Curitiba - Muitos deles já sabem como devem se comportar quando estão no trânisto. São crianças de primeia a quarta série do ensino fundamental que estão se formando para serem cidadãos responsáveis, e começam desde já. ''Para atravessar a rua temos que esperar o carro passar e andar na faixa de pedestres. O carro não pode passar no sinal vermelho e sempre temos que usar o cinto de segurança'', mostra seus conhecimentos a aluna da Escola Municipal Campo Mourão, Erika Cristine da Silveira, 10. Em alguns casos, as orientações são dadas em casa, pelos pais. ''Agora que eu comecei a andar sozinho por perto de casa, minha mãe sempre fala para eu prestar atenção'', conta o colega de Erika, João Felipe Kahali, também de 10 anos.
Para as crianças, as orientações dadas pelos pais são muito importantes. ''É bom que os pais orientem porque quando o pedrestre anda pela primeira vez na rua, ele não sabe das regras'', diz João Felipe. Mas às vezes acontece o contrário. São as crianças que cobram dos pais uma postura responsável no trânsito. E para se tornarem agentes mirins, eles e outros estudantes de Curitiba participam das atividades do programa Educação no Trânsito, desenvolvido pelo Departamento de Trânsito do Paraná (DetranPR), em parceria com a Polícia Militar e o Batalhão de Trânsito (BPTran).
''Levamos para as crianças o conhecimento sobre princípios básicos do motorista de forma lúdica. Usamos o teatro para que elas tenham de uma forma alegre e divertida, conhecimento'', explica a educadora do trânsito Leda Kondera. A proposta é ensinar às crianças como é a maneira correta de se comportar no trânsito e também cobrar dos responsáveis que sejam bem cuidadas. ''É interessante porque eles cobram efetivamente dos pais uma ação correta. A melhor forma de educar os adultos é usar as crianças'', complementa.
A iniciativa dá resultados. A diretora da escola, professora Noeli Matheus Rizzardo, conta que logo que as crianças recebem a informação, passam para seus familiares. ''Eles saem da escola querendo ensinar os adultos tudo o que escutam e aprendem aqui. Os pais nos contam isso. As crianças levam a sério o que aprendem, não só em relação ao trânsito, mas em relação ao meio ambiente, limpeza da cidade e outros temas'', diz.
Pode ou não pode? - Para chamar a atenção das crianças, a aula de educação no trânsito é ministrada em forma de teatro e conta com a participação dos público. ''Pode o motorista falar no telefone e beber cerveja enquanto dirige?'', perguntam os personagens 'Ponto' e 'Tutti', que encenam a peça. Em meio a várias brincadeiras, os atores explicam aos pequenos que, quando estão dirigindo, os motoristas não devem falar ao telefone, consumir bebidas alcóolicas ou ouvir música alta. As crianças não podem viajar sem cinto de segurança, no banco da frente e colocar partes do corpo para a fora da janela.
Os personagens também orientam que para atravessar a rua, precisam ter boa visibilidade, olhar para todos os lados quantas vezes forem necessárias e andar na faixa de pedestres. As crianças menores devem ser seguradas pelo punho, para garantir segurança. ''Com o teatro é mais fácil de prender a atenção deles. Eles acabam memorizando com a brincadeira e levando pra casa. Desde novo é mais fácil conscientizar, vão se tornar motoristas mais conscientes'', diz o ator Valdir da Cruz Júnior.
Depois de passadas todas as informações, eles fazem um juramento. ''Eu prometo que vou tomar cuidar e respeitar a todos no trânsito''. E também se comprometem a passar adiante o que aprenderam, mesmo que em alguns casos demore um pouco. ''Quando crescer, a gente já sabe das normas e sabe como podem acontecer as coisas. Quero passar isso para os meus filhos'', conta Lorena Santos Mendes, 10.

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