SER OU NÃO SER MÃE Liberdade para escolher Célia Baroni ‘‘Eu adoro crianças, desde que sejam dos outros’’. ‘‘Quem, eu? Claro que gosto de crianças, principalmente ao forno e com batatas’’. Quem já não ouviu estas frases ditas em tom de brincadeira, mas que, traduzidas, significam ‘‘no momento tenho outras proridades e não sei se um dia terei espaço para um filho’’. A maternidade que desde sempre foi colocada como a glorificação e objeto de realização de todas as mulheres, passou a dividir espaço em importância com a necessidade de realização profissional. Optar por não ter filhos e priorizar a profissão não torna a mulher um monstro, garante Regina Stella Spagniolo, secretária da Secretaria Especial da Mulher de Londrina. ‘‘Até pouco tempo atrás, uma mulher que assumisse não querer filhos e que desse preferência à carreira e não à maternidade, era automaticamente considerada pessoa fria e sem sentimentos’’, comenta. É inegável que a tecnologia deu sua contribuição. A pílula anticoncepcional deu o impulso que faltava às mulheres que já estavam se organizando e lutando pelos seus direitos. Se suas mentes já estavam livres e prontas para alçar vôo, a mulher continuava presa a um corpo que era controlado pelo homem. O poder de escolher entre ter ou não filhos, quando tê-los, como e com quem tê-los, cortou as amarras. Hoje, a mulher sabe que, com a tecnologia disponível, ela poderá mudar de idéia (ou não) a qualquer tempo. Até as que enfrentam limites físicos para ser mães encontram tratamentos que revertem o quadro. Os índices de sucesso com a inseminação artificial, por exemplo, são animadores. Aos poucos, a barreira dos 40 anos (idade considerada limite para uma gestação saudável) vem sendo alargada pelos avanços da ciência e qualidade de vida que garantem longevidade a mulher. Viva a tecnologia!

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