Liberalismo não chegou ao interior
O liberalismo sexual e alguns ganhos concretos são restritos a um pequeno universo de pessoas, aquelas mais escolarizadas e que residem nos grandes centros urbanos. É o que mostra pesquisa realizada pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida, que foi publicada no livro ''A Cabeça do Brasileiro'' (Editora Record), de sua autoria. ''O Brasil é o país do papai-e-mamãe'', constata. Segundo ele, diante de um expressivo contingente de pessoas de baixa escolaridade, percebe-se um alto grau de conservadorismo com relação a sexo.
Conforme levantamento, homossexualismo, masturbação, sexo oral e anal são desaprovados pela maioria da população. Principalmente pelas mulheres, estatisticamente mais conservadoras do que os homens. ''Costumo brincar nas minhas palestras, dizendo que a família é brochante'', fala Almeida. ''A mulher, independentemente da escolaridade, é a peça-chave dessa instituição e, quando tem filhos, costuma seguir a cartilha das regras familiares conservadoras. Portanto, a liberalidade sexual está mais presente num pequeno grupo, que faz bastante barulho.''
O conservadorismo perde força, porém, entre os jovens, escolarizados e moradores dos grandes centros urbanos. Há uma diferença abissal entre as mulheres mais novas, quando comparadas às mais velhas. Segundo Carmita Abdo, a separação de sexo e amor já começa a despontar entre garotas na faixa dos 20 anos. Por conta disso, usufruem da sexualidade com mais liberdade, têm mais parceiros e adiam o casamento.
''As com mais de 50 anos vêem nessa nova geração perdas amorosas, uma vez que a falta de compromisso dos relacionamentos atuais deixa a mulher com a sensação de desamparo e de poucas trocas sentimentais - bem diferente do que essas cinquentonas viveram na juventude'', observa Carmita. ''Como as mais jovens não tiveram o mesmo referencial das mais velhas, elas não têm essa dimensão negativa. No meio disso, estão as de 40 anos, que viveram o modelo de troca das relações amorosas, mas também se depararam com a liberdade do sexo sem compromisso, mas sentem dificuldade de encarar essa nova forma de se relacionar.'' (C.V./A.E.)





