Ele gosta de rock, mas não fala inglês. E quando a voz de Ademir Antunes dos Santos, o Plá, ecoa pelo Calçadão da Rua XV, pessoas param, aplausos surgem, novos fãs aparecem. Com a inconfundível barba, destacada entre as roupas brancas e as sandálias nos pés, o artista apresenta no palco a céu aberto as conhecidas letras que já renderam 31 CDs. Um ''recado rebelde'', segundo ele, para mexer nas idéias e no sistema.
A trajetória já dura 23 anos. E não foi fácil. ''No início eu colocava um gravador de fita cassete, ia cantando e avisava que ia vender no final. Aí no meio do show alguém gritava que ia comprar. Só que os fiscais da Urbs começaram a perseguir, falavam que eu não podia vender'', recorda.
O fã de Bethoven que fez faculdade de Música só teve ''sossego'' quando foi resolver o problema na prefeitura. Com um abaixo-assinado nas mãos, pediu que deixassem fazer seu trabalho. Deu certo. Hoje, a única fonte de renda do artista vem da venda dos CDs, livros - já escreveu sete - e camisetas, a ''moda do Plá''. ''O povo gosta bastante, sempre estou vendendo alguma coisinha'', comemora.
E o nome, de onde surgiu? ''No início o pessoal me chamava de Raio, porque quando eu chegava, 'explodia tudo'. Aí o tempo foi passando e passou a ser Plá, que é como um toque pra galera despertar em busca da liberdade'', explica.

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