Levado pelo imprevisível
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Histórias sobre guinadas pessoais são o forte deste espaço, e a de Fábio Allon, 30, não foge à regra. Doutorando em arquitetura, ele adiou os planos de se tornar professor universitário para mergulhar no mundo do cinema. Uma decisão acertada, visto que seu nome já é um dos mais festejados da nova geração de realizadores locais.
Diretor de quatro curtas-metragens (entre eles o premiado Colorado Esporte Clube), Allon se prepara para comandar o primeiro longa, Gol a Gol, em parceria com Adriano Esturilho. Paralelamente, faz questão de experimentar outras funções no set de filmagem - do som direto à edição, passando por operação de câmera, direção de arte e até mesmo figuração. Ou seja: está em pleno processo de aprendizagem.
Familiarizado com as ciências exatas, Allon ingressou na faculdade de Arquitetura sem muita certeza de que aquela seria a sua profissão. Acabou gostando do curso, e mais ainda do convívio com os colegas da Universidade Federal. Pessoas de idades, origens e referências diferentes, que o levaram a conhecer outras formas de cinema, música, literatura, etc.
"Antes da faculdade, eu ia ao cinema como qualquer um. Era um jacu completo, não conhecida nada", brinca. Naquela época, meados da década de 90, uma safra de produções ousadas explodia nas telas, enquanto o rock underground dominava o meio musical. Filmes do calibre de Pulp Fiction e Trainspotting e discos como Goo, da banda Sonic Youth, são algumas das descobertas que o fizeram ir além do senso comum.
Curso concluído, Allon partiu para o mestrado e, talvez inconscientemente, começou a construir sua ponte para os sets. Defendeu uma tese sobre a relação da arquitetura com o cinema, mas ainda nem sonhava em segurar uma câmera. Até que, por sugestão da madrinha, inscreveu-se no vestibular para a primeira turma da CINETVPR (Escola Superior Sul Americana de Cinema e TV do Paraná), mantida pelo governo estadual. "Foi tudo num ímpeto de dois dias", lembra.
A partir daí, o arquiteto rigoroso, organizado e obcecado por planejamento se deixou levar pelo imprevisível. "Desde que o cinema entrou na minha vida, tudo veio vindo", diz. Esse "veio vindo" significa projetos e propostas de trabalho que bateram à sua porta sem que ele se preparasse para isso.
O próprio longa, a ser realizado com recursos de um edital público, inclui-se nesse pacote."Talvez seja cedo para eu fazer o primeiro longa-metragem. Mas se você ficar pensando muito, a oportunidade pode passar", reflete.
Seja como for, arquitetos costumam se dar bem no cinema. Só para ficar num exemplo próximo, taí o Fernando Meirelles que não nos deixa mentir. Melhor guardar esse nome...


