Lerner menciona a reeleição de FHC
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 1998
Patrícia Zanin 
Culto e gratidão aos pioneiros japoneses, além da importância da miscigenação das raças no Brasil foram a tônica dos discursos do deputado federal Antônio Ueno (PFL), do governador Jaime Lerner (PFL), do ministro dos Negócios Estrangeiros no Japão, Keizo Obuchi, e do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ontem na Imin 90.
O primeiro a falar foi Ueno, que saudou o público com um sejam bem-vindos tanto em português como em japonês e arrancou risadas e aplausos da platéia com três fortes banzai (Viva). Ueno levantava os braços e gritava. Fernando Henrique achou graça da disposição de Ueno e fez o sinal de positivo.
Em seguida, discursou o governador Jaime Lerner que agradeceu os pioneiros japoneses. Eles foram literalmente os primeiros a acreditar no sonho de construir o Paraná. Foi um japonês o primeiro comprador de terras em Londrina, lembrou Lerner, referindo-se à família Ohara.
Lerner referiu-se à miscigenação e à união de raças no Estado como sinfonia de sotaques. Pioneiros japoneses, poloneses, italianos, ucranianos e muitos outros desenvolveram um trabalho incansável e imprimiram uma marca de vanguarda ao Estado.
Ele lembrou dos pais, de origem polonesa, que há 65 anos cruzaram o oceano rumo ao Brasil em busca de esperança e muito trabalho. E eu, filho de imigrantes, prestei juramento há quatro anos como governador de trabalhar com a mesma esperança dos imigrantes.
Lerner terminou o discurso pedindo a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Para o País continuar com esse processo de transformação fundamental, daqui a quatro anos queremos celebrar FHC como presidente, defendeu Lerner, que foi aplaudido.
O ministro dos Negócios Estrangeiros no Japão, Keizo Obuchi, enalteceu a longa relação de amizade entre o Brasil e o Japão e os pioneiros. A prosperidade de que goza hoje a comunidade nipo-brasileira está assentada sobre o suor derramado por aqueles que vieram para uma nova terra de língua, cultura e costumes diferentes, e venceram as inúmeras dificuldades que aqui enfrentaram. Ao mesmo tempo, jamais devemos esquecer que essa prosperidade só se tornou possível graças à calorosa acolhida que lhes deu o povo brasileiro.
O último a discursar foi o presidente Fernando Henrique. Ele lembrou que há nove décadas, os japoneses aportaram nas terras desconhecidas até então e desde aquela época só têm servido ao Brasil. São brasileiros, são gente amiga, gente trabalhadora, estudiosa, um dos alicerces do futuro do nosso País. Eu sinto, cada vez com mais força, que o Brasil é grande porque tem vocês, que vieram do mundo inteiro para encontrar nesta terra, com todo trabalho e carinho, uma possibilidade de vivermos em paz, harmoniosamente, avançando sempre, com generosidade, sem ódio, com muita confiança em nós próprios e amando o Brasil, porque amamos as nossas famílias, amamos o nosso trabalho, amamos o nosso esforço.
O presidente fez até média com o Estado dizendo que todos têm uma pontinha de Paraná. Não é só o senhor, governador, que tem o coração pulsando pelo Paraná. Nós todos os brasileiros nos sentimos um pouquinho paranaenses.


