Miriam Karam
De Curitiba
Especial para a Folha
O Paraná precisa manter a sua vocação agrícola. ‘‘Mas todo Estado que quer criar renda tem que se diversificar’’, afirma o governador Jaime Lerner, rebatendo as críticas de que o apoio à industrialização dado em seu primeiro mandato esqueceu completamente a área em que sempre foi mais forte. Em sua opinião, a grande mudança ocorrida na economia estadual é, na verdade, a ampliação do perfil econômico do Paraná, que trouxe novas oportunidades a seus habitantes. Principalmente aos jovens. O governador aposta nos resultados que deverão ser revelados pelos novos censos agrícolas. E acredita que essa mudança vai interromper o êxodo rural e a fuga de pelo menos um milhão de paranaenses que, segundo ele, foi registrada há cerca de seis anos. O desafio do mundo, hoje, na opinião de Jaime Lerner, é reabilitar o pequeno agricultor. Ele diz que o mundo globalizado não pode deixá-lo de lado, e vai avançar mais quem souber melhor apoiar esse produtor. Sem esquecer de introduzi-lo na área da alta tecnologia. ‘‘Temos que abrir caminho para o pequeno’’, diz. É no pequeno agricultor que reside, segundo o governador, as chances de um novo salto na economia paranaense.
Folha: O senhor disse, em campanha, que neste segundo mandato o enfoque principal seria a agricultura, assim como a industrialização do Estado foi o forte do primeiro. Governador, chegou a vez da agricultura?
Jaime Lerner: Uma das coisas interessantes que aconteceram nos primeiros quatro anos e que é inegável, nem a oposição consegue desmentir, foi a mudança do perfil econômico do Estado e a perspectiva da geração de empregos. Temos dados recentes que comprovam isso. Mostram que o Paraná é o Estado que mais avançou na industrialização. Apesar disso, o Estado não se descuidou da geração de empregos no campo. E retomamos culturas que antes estavam abandonadas. É o caso do café. A partir de 1995, o Paraná multiplicou por 15 a sua produção de café. E vamos começar a viver novamente uma fase de sermos grande produtor de café.
Folha: Agora com o café adensado...
Lerner: Com a tecnologia do café adensado. E, principalmente, com a grande preocupação de qualidade. Então, mesmo com a preocupação de mudar o perfil econômico, não descuidamos da geração de empregos no campo. A retomada do café foi um dos fatos importantes. O outro é a atenção, e é nisso que estamos trabalhando, ao pequeno agricultor. A minha preocupação sempre foi cobrir setores que antes não eram atendidos pelo Estado. Primeiro o trabalhador rural e, em segundo, o pequeno agricultor. Em relação ao trabalhador rural, as Vilas Rurais mudaram a paisagem de nosso Estado. Não há um só município que não tenha uma ou mais Vilas Rurais. E agora estamos vivendo a fase, ao menos no Noroestes do Paraná, com a Vila Rural já integrada à indústria. E veja, com o programa Paraná 12 Meses, investimos, até o momento, R$ 70 milhões atendendo a área do pequeno agricultor e do trabalhador rural. Mais de 30 mil famílias de pequenos agricultores foram beneficiadas em ações de melhoria da moradia, saneamento básico, atividades de geração de renda, distribuição de sementes, calcário e equipamentos. Só em melhorias de moradia foram investidos R$ 8 milhões. Dez mil famílias de agricultores carentes tiveram condição de reformar e melhorar suas casas com instalações sanitárias.

mockup