Leprosários foram projetados para serem cidades
Curitiba - O Leprosário São Roque foi erguido, em 1926, estrategicamente ao lado da ferrovia, em Piraquara. ''Existia um vagão específico para transportar os pacientes. O maquinista também usava os apitos para avisar as pessoas que estava chegando no lugar, para que abaixassem as janelas'', conta o enfermeiro Sebastião Carlos Pamplona, membro do Morhan.
''Existia uma lógica até na construção, porque os prédios foram erguidos bem distantes uns dos outros para evitar o contato até entre médicos e pacientes'', acrescenta Mara Lúcia Gomes, da chefia técnica do Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná.
Os leprosários foram projetados para serem pequenas cidades, com organização própria tinham prefeitura, igreja, praça, cadeia, cemitério e cinema , e possibilitasse ''tirar de circulação'' os hansenianos.
®MDNM¯ O atual diretor clínico do Hospital, Eduardo Cesário Pereira, lembra que quando chegou ao local, para atender ocorrências de pós-operatório, em 1975, existiam mil internados. ''Aqueles mais indisciplinados e que tentavam fugir eram colocados na cadeia. E nas alas de psquiatria, tanto feminina, quanto masculina, existiam uns cubículos com grades para isolar paciente por alguns dias'', relata.
Além do novo nome, o hospital, que faz 57 internamentos (com média de 50 dias de permanência) por mês, passa por reformas na estrutura para atender melhor os pacientes internados e reativar o centro cirúrgico. Desde 1990, o tratamento é feito com o uso de poliquimioterapia (rifompicina, dapsona e clofazimina com administração associada), além da aplicação de novas técnicas de curativos para úlceras e melhorias na enfermaria e nutrição interal. (F.G.)





