Lendas e mitos atrapalham o tratamento
As lendas e mitos dos índios têm que ser considerados até na hora de uma campanha de saúde. Caso, por exemplo, de um tratamento para verminoses. A Folha acompanhou na última semana parte de campanha de três dias, com a distribuição de remédios por toda a reserva.
As visitas foram guiadas por um agente indígena de saúde, que ajuda a traduzir as instruções para a língua caingangue e a ''convencer'' os índios a tomar os remédios. ''É difícil explicar para eles. Os mais velhos, os mais antigos, não entendem'', constata Simão Campolim, mais conhecido como Abraão, que termina no próximo mês o curso de auxiliar de enfermagem. ''Como não há sintomas, eles não vêem porquê tomar remédio. Ou quando o sintoma desaparece, eles param de tomar. É preciso fazer vigilância e cobrar para que eles façam o tratamento'', explica Marlene.
No caso do tratamento para verminose a dificuldade maior é que, segundo a antropóloga, o mito da criação dos índios diz que cada pessoa foi criada com uma lombriga dentro da barriga, que tem que ser mantida. ''Quando 'Topei' (Deus) criou o índio, colocou dentro de cada um uma lombriga, que é o seu eixo central de harmonia e com ela não se pode mexer. Quando eles tem a 'doença do susto', quem 'assustou', na verdade, foi a lombriga. Mas, eles entendem que as 'outras' lombrigas, aquelas que já saem nas fezes, têm que eliminadas'', ressalta.





