Quando levou a filha Júlia, de sete anos, para conhecer o acervo da Casa da Leitura Manoel Carlos Karam, no parque Barigüi, o engenheiro mecânico Luis Henrique Benites, 43, pensava em apenas diversificar as opções de leitura da filha. A menina é fascinada pela literatura infantil e a biblioteca seria um ótimo passatempo nas férias. Mas o que já era bom, conseguiu ficar melhor. Os dois também puderam aproveitar o dia ensolarado no ambiente agradável do parque para ler as historinhas embaixo de uma árvore.
Isso porque as Casas de Leituras oferecem, durante todo verão, o serviço de empréstimos de cadeiras para quem desejar ler livros do acervo ao ar livre. "Foi uma surpresa. Achei inovador e fantástico poder ler curtindo a natureza, o lago e toda essa paisagem, afinal a biblioteca fica ao lado do parque. Essa idéia potencializa a infra-estrutura, a segurança e a natureza do Barigüi", disse Luis Henrique. "Gosto de histórias de terror", disparou a garotinha com os livros "Os Corvos de Pearblossan", "A Bruxa Boa", "A Casa Sonolenta", e mais meia dúzia de títulos embaixo do braço.
O pai coruja conta que a filha tem o costume de ir a espaços de leitura de livrarias, mas ainda prefere que ele leia as histórias para ela. "O parque aguça mais a curiosidade, torna mais rica a leitura e o aprendizado, porque a criança faz relações com o ambiente que está observando. A única coisa que rouba a atenção da Júlia na hora da leitura são os cachorros que passeiam no parque", brincou Luis, acrescentando que a divulgação do serviço poderia ser melhor.
Compartilha da mesma opinião, o casal Marilene Trevizan, 33 anos, e Paulo Cézar Vidal, 34, que observavam a cena de pai e filha, enquanto caminhavam no parque. "Poderiam colocar uns quiosques aqui, porque a maioria desconhece a localização da Casa da Leitura. Olhando assim, me parece que as cadeiras também são pouco confortáveis para se fazer uma leitura, poderiam ter apoio para os braços", criticou Marilene, informando que costuma levar uma toalha para ler deitada no parque, aos sábados.
Adolescentes que participavam de uma roda de leitura compartilhada da versão infanto-juvenil de Dom Quixote (de Orígenes Lessa) também trocaram a biblioteca pelo parque. "O ambiente aberto nos dá mais inspiração", explica a estudante Ellen de Freitas, 14 anos. A leitura dinâmica é acompanhada pela monitora Dilma Martins, que também levou a netinha, Letícia, de 9 anos, para participar das atividades da Casa da Leitura.
Perto dali, a representante comercial Marta Vilas, 34, muito à vontade em trajes de banho, aproveitava o dia ensolarado para pegar um bronze e adiantar a leitura de "Um Best-seller para Chamar de Meu" (Marian Keys), deitada numa espreguiçadeira. "Agora nessa época venho quase todos os dias, e trago um livro para aproveitar o tempo. Queria mesmo poder estender uma canga e bronzear o corpo todo, como as pessoas fazem nos parques de Nova York. Mas se eu fizer isso vou chamar muito atenção. O curitibano é muito comedido", desabafou Marta.
O empresário Tirone Hirt, 68 anos, que também já frequentava o Barigüi para ler os livros de seu autor preferido, Érico Veríssimo, adorou a idéia do parque ser uma extensão da Casa da Leitura. "Uma das melhores coisas de Curitiba, certamente, são os parques, mas a maioria só vem aqui para caminhar, fazer exercícios. Ainda não descobriram o prazer que é ler no parque", acredita Tirone que revela se dedicar à leitura dos livros de matemática e português, no momento. "Quero passar no vestibular de Arquitetura. Quem sabe até os 96 eu possa aproveitar bastante a vida", afirma ele.

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