Leitores buscam exemplos nos milagres dos santos
São Paulo - A supremacia dos santos no campo editorial tem várias explicações. Numa época crítica como a nossa, combatentes da justiça social e defensores dos oprimidos são tão escassos como essa gente radical que ousou dizer não ao mundo, seja renegando as riquezas materiais como São Francisco de Assis, biografado no livro ''Os Santos Que Abalaram o Mundo'' ou defendendo proscritos, caso de Santa Rita. Ou, ainda, desafiando inquisidores, como Santa Teresa D'Ávila.
Os santos escolhidos pelas editoras permitem concluir que os leitores estão à procura de exemplos com os quais possam se identificar. Não por outra razão, os jornalistas que escrevem essas biografias destacam episódios e aspectos das personalidades dos santos normalmente ausentes nos primeiros registros sobre suas vidas. A de Santa Teresa, por exemplo, não evita a discussão sobre o protofeminismo da revolucionária espanhola que, rica, jovem, bela e namoradeira, foi encerrada contra a sua vontade num convento pelo pai.
Santa Teresa tinha visões de um anjo que perfurava seu coração com um dardo de ouro, levando-a ao êxtase, associado por muitos ao sensual contorcionismo da famosa escultura renascentista de Bernini, que carrega na expressão de gozo. A jornalista Rosa Amanda Strausz não escapa do polêmico assunto. Para ela, ao ser dispensada da disciplina do convento e sem a obrigação de rezar a cada minuto, Teresa, que viveu o inferno da depressão, só entrou em comunhão com Deus quando voltou ao campo para sentir o cheiro da terra molhada e contemplar a obra do criador sem a interferência da madre superiora. Apesar disso, a santa fundou a própria ordem e, ao morrer, tinha criado 18 mosteiros, sendo proclamada doutora da Igreja há 35 anos. (Agência Estado)





