Embora com indicadores que revelam um alto grau de desenvolvimento, Ibiporã ainda tem particularidades típicas de pequenas cidades do interior no século passado. Um exemplo é a entrega de leite diretamente pelo produtor nas casas dos consumidores, sem passar por nenhum tipo de intermediário, seja o laticínio ou o revendedor no comércio.
  Apesar da ‘‘liberdade’’, os produtores não estão satisfeitos com esta situação que representa uma série de riscos para a atividade e estão dispostos a pasteurizar o leite que produzem. A forma como trabalham atualmente não é permitida por lei, mas há uma certa tolerância das autoridades locais porque a produção serve de sustento para quase duas dezenas de famílias no município.
  A vontade de mudar esta situação começou em 2005, depois de uma reunião entre produtores, representantes da prefeitura e técnicos da Emater, que sugeriram a formação de uma entidade para organizar a atividade. ‘‘Procuramos conscientizar os produtores de que o leite não poderia ser entregue daquela forma’’, diz Antonio Carlos Ulbrich, zootecnista da Emater.
  Os produtores resolveram, então, criar a Associação dos Produtores de Leite de Ibiporã, para a compra de equipamentos que iriam viabilizar a instalação do pequeno laticínio. A compra aconteceu, mas faltaram alguns detalhes no projeto original para viabilizar a obra. Por isso, o material está guardado na Fazenda Experimental do Iapar em Ibiporã à espera de uma definição. O impasse refletiu no interesse da categoria. No começo, a associação tinha 25 produtores e hoje este número caiu para 17.
  Mesmo com a boa vontade em todos os setores, o laticínio ainda não foi ativado por falta de recursos. De acordo com o presidente da associação, Valdevino Nunes Azevedo, seriam necessários entre R$ 20 mil a R$ 30 mil para ativar a ‘‘indústria’’. ‘‘Não é muito dinheiro, mas para nós que somos pequenos é um pouco pesado’’, diz o produtor.
  O extensionista da Emater afirma que atualmente os produtores retiram 600 litros de leite por dia, mas ele está certo que esta quantidade vai aumentar assim que o laticínio entrar em operação. ‘‘Tenho certeza que quem tem uma vaquinha e puder aumentar, vai passar para duas ou três, porque vai ter onde beneficiar o seu produto, que terá um comércio garantido’’, diz Ulbrich. Ele lembra que só os programas oficiais existentes em Ibiporã consomem cerca de 1,2 mil litros de leite por dia.
  Enquanto o laticínio não vem, o produtor Orlando Aguiar carrega seu fusca azul todo dia com 50 litros de leite para fazer a entrega em sua ‘‘linha’’. Aguiar tem 40 clientes regulares, um deles o caminhoneiro Robson de Moraes que tem dois filhos, um de 3 anos e outro de apenas 3 meses, que se alimenta apenas do leite materno, no momento. Moraes pega dois litros de leite três vezes por semana e paga R$ 40,00 por mês, o que corresponde a R$ 1,50 o litro.
  O presidente da associação afirma que poderia aumentar a produção atual, também de 50 litros por dia, mas não o faz porque não teria para quem vender o excedente. Mesmo tendo uma pequena propriedade, ele colocou uma ordenha mecânica para retirar o leite das quatro vacas e toma todos os cuidados sanitários e com a higiene do local.
  Ele está confiante que o laticínio poderá ser ativado em breve e que outros produtores vão ingressar na associação assim que a nova indústria entrar em funcionamento.

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