Para quem segue o que reza o ditado popular que ''a justiça tarda mas não falha'', não deve estar levando em conta quando a questão chega aos leilões de arrematação. Que demora, demora mesmo. Um processo pode chegar até a 10 anos para ser resolvido. Mas que a parte que tem razão vence no final, é uma meia-verdade. Bens levados a leilão, como garantia de pagamento, nem sempre são vendidos. ''Tem processo que passa por 10 praças (leilões) e o bem não é vendido. Como o devedor não tem condições de saldar a dívida, muitos credores preferem arquivar o processo ou aceitar qualquer coisa para encerrar a questão'', resume o juiz da 4 Vara Cível de Londrina, Elias Duarte Rezende.
De qualquer forma, quando o devedor é citado para pagar o débito em 24 horas, sob pena de penhora, já significa um alívio para reclamantes e seus advogados. Esta fase do processo favorece a consolidação de acordos. Se não há consenso, o bem vai a leilão. Mas a venda não é tão simples assim. ''É uma caixinha de surpresas'', diz o leiloeiro oficial Antonio Costa. A participação de possíveis compradores é muito variável. ''Tem dias que a gente vende muito e em outros não vende quase nada. Não sabemos o que esperar a cada leilão'', conta.
A reportagem da Folha acompanhou um leilão judicial na última quarta-feira em Rolândia. Os bens referentes a 106 processos trabalhistas foram colocados à venda. Entre os produtos estavam máquinas, equipamentos profissionais, móveis de escritório, veículos, propriedades rurais, frango congelado e 2524 cabeças de gado. Alguns desses bens saíram da lista na última hora por haver acordo entre as partes. No saguão da Justiça do Trabalho, pessoas com edital na mão acompanhando a descrição de cada processo executado e o leiloeiro atento a cada mão que se levantava.
Mas aquela tarde de quarta foi um dia de poucas mãos erguidas. Poucos lances, poucas vendas. Coisas de pregão. ''Eu esperava que esse gado fosse todo vendido, mas só alguns lotes foram arrematados. É como eu disse: não dá pra prever'', lamenta. Os bovinos, com 18 arrobas, tinham lance mínimo a partir de R$ 11,00 a arroba, cerca de cinco vezes menor do que a cotação em frigoríficos. O frango congelado, que também não foi vendido, foi oferecido a partir de R$ 0,80 o quilo.
A maior venda do dia foi de duas áreas rurais em Rolândia, num total de 25 alqueires, arrematados por R$ 695 mil. O comprador foi o próprio reclamante, que aplicou o crédito da ação na compra do imóvel, o suficiente para cobrir 80% do valor. O advogado José Antonio André, que representou seu cliente, disse que esse tipo de venda é normal. ''Quando o produto é bom, vale a pena arrematar pelo crédito, porque além de obter um bem por preço vantajoso, a questão na justiça também acaba'', analisa.

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