Leilão de energia pode ser suspenso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de agosto de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma ação popular pede a suspensão dos leilões de energia da Copel e Cemig marcados para o dia 20. A ação popular foi ajuizada ontem pelos integrantes do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, o vereador de Curitiba, André Passos (PT), e o presidente do PDT do Paraná, Nelton Friedrich, na Justiça Federal, em Curitiba. A ação foi distribuida para a 5ªVara Cível e está aguardando pronunciamento do juiz Emmerson Gazda.
A ação judicial faz parte de um movimento nacional que tenta impedir a realização dos leilões de energia das hidrelétricas estatais Copel, Cemig, Furnas, Chesf e Eletronorte, marcados para 20 de agosto, no caso das empresas estaduais, e 9 de setembro, no das federais. O movimento foi organizado anteontem em São Paulo e rapidamente se disseminou para os estados do Paraná e Minas Gerais, onde já existem entidades organizadas para acompanhar a organização do setor elétrico.
O engenheiro Ivo Pugnaloni, do Instituto Ilumina, explica que os consumidores vão sentir em breve como esses leilões vão elevar os custos da energia elétrica no Brasil. No caso do Paraná, os 25% da energia da Copel que será vendida não terão mais seus preços estabelecidos pelos custos dos serviços como acontece até agora. A partir dos leilões, o preço da energia vendida vai oscilar de acordo com o mercado.
Pior que isso - frisou Pugnaloni - é que essa energia pode ser comprada por intermediários que poderão vender ao preço que quiserem para outros consumidores ou até mesmo ser revendida novamente para a própria Copel, ao preço de mercado, em caso de escassez de energia. Ainda não nos livramos desse pesadelo, lembra.
Esses leilões representam uma antecipação à liberação de preços no setor elétrico, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de janeiro de 2003. Para os técnicos do setor, se o projeto for levado a cabo, poderá ocasionar uma explosão tarifária, com aumentos superiores mesmo aos altos reajustes observados até aqui, que somam 167,18% desde 1995.
Para o engenheiro Carlos Augusto Kirchner, presidente do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, o leilão de energia por parte da Copel e Cemig é uma afronta maior ao consumidor porque essas empresas geram e distribuem sua energia. Elas vão vender no mercado energia que atualmente atende seu conjunto de consumidores e posteriormente poderão voltar ao mercado para recomprar a mesma energia de um comercializador. Isso só pode favorecer as empresas que intermediam a venda de energia, disse. Com o excesso de intermediação, é claro que o consumidor vai pagar mais por isso, emendou.
A Copel Geração informou ontem, por meio de comunicado, que foi grande o número de participantes que depositaram as grantias exigidas no edital para realização do leilão. O número de interessados não foi revelado, mas o diretor da empresa, Sergio Lamy disse que a competição será acirrada.


