Lei de incentivo é fonte pagadora de projetos e programas de música
A Fundação Cultural de Curitiba (FCC) afirma que a política cultural da cidade dá ênfase a área da música. Um exemplo disso seria o resultado da primeira fase da seleção do Mecenato Subsidiado, uma das modalidades do Programa de Incentivo Cultural. Do total de 285 projetos pré-habilitados, 97 são da área de música, ou seja, quase um terço.''Priorizamos áreas da música que, à princípio, não têm consumo imediato. No restante, damos atenção a trabalhos que tenham um cunho social, à educação e formação musical'', contextualiza a coordenadora de música da FCC.
Até agora a Fundação investiu cerca de R$ 3 milhões na área da música, incluindo os recursos do Fundo Municipal - só fica de fora o Mecenato Subsidiado. De acordo com Janete, por ano, cerca de 6 mil pessoas assistem a concertos e apresentações musicais promovidos pela Prefeitura. O número inclui o público de programas como o Música no Paiol e Música nos Parques. ''Se trata de uma parcela da população que dificilmente teria acesso a música erudita e outros bens de consumo cultural. Buscamos fugir de trabalhos elitistas. Todas as apresentações que apoiamos, pedimos que, um dia antes do evento, o grupo faça o mesmo show num lugar da periferia ou numa escola'', explica ela.
''O Música em Pauta, que vai selecionar 52 projetos de grupos e bandas musicais, é também uma forma de criar um mercado de trabalho, mesmo que de forma tímida. O projeto se propõe a oferecer uma estrutura digna para os músicos se apresentarem. Mas precisa que eles se organizem e participem dos editais'', incentiva. ''Através da lei de incentivo, Curitiba possibilitou a produção de um dos melhores livros sobre instrumentos musicais, como a viola caipira, que é o 'Tocadores - Homem, Terra, Música e Cordas', de Lia Marchi, Roberto Corrêa e Juliana Saenger.®MDBO¯®MDNM¯ A pesquisa também é um lado importante da música que precisa ser valorizado'', destaca Janete Andrade, que também é coordenadora da Oficina de Música.
A Fundação ainda foca a questão pedagógica da música, investindo no Conservatório de Música Popular, que oferece cursos para qualificação de músicos - pagos, mas a preços acessíveis como R$ 50,00, por mês - e apoiando o ''Alimentando com Música'', realizado pela Camerata Antíqua, há quase 15 anos. O programa leva concertos eruditos com composições de Villa-Lobos para alunos da rede municipal de ensino, acompanhados de apresentação de bonecos. A Camerata Antíqua, inclusive, vai ganhar sua sede e uma sala de concertos com a inauguração, em breve, da Capela Santa Maria.
''Curitiba tem uma platéia de música erudita porque se trata de uma tradição cultural, que veio com a formação da cidade, com os alemães e povos do leste Europeu. É bom lembrar, que desde a década 1960, são realizados festivais internacionais aqui'', defende a coordenadora de música. ''Cultura significa investimento, não se pode esquecer disso. Já fizemos muita coisa, mas espero que daqui para frente seja feito mais. Meu sonho é que a música seja abordada aqui como é na Venezuala, que investe na educação musical infantil, há 30 anos. Aquele país aproveita a música como elemento transformador da sociedade. Mas isso é um sonho'', revela Janete Andrade. (F.G.)





