Lazer e cultura
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Fabiano Camargo 
Albari RosaO presidente do Sindicato dos jornaleiros, Gregório de Bem, afirma que nova tendência aumenta o faturamento das bancasHistórias em quadrinhos, jornais, revistas, cigarros, guloseimas variadas e frutos proibidos da indústria editorial não são mais os únicos produtos que têm levado cada vez mais consumidores às bancas. As boas e velhas banquinhas estão abrindo espaço nas suas prateleiras para coleções de CDs, vídeos e livros.
Alguns números fornecidos pelas editoras que exploram este segmento revelam uma procura crescente. Desde que lançou, em agosto do ano passado a série Clássicos de Ouro, com obras importantes da literatura mundial em versões de bolso, a Editora Ediouro já vendeu mais de 135 mil exemplares. O custo ajuda a explicar a procura: apenas R$ 1,80. Um quarto do preço de um ingresso de cinema nos finais de semana ou um terço da diária de um vídeo.
De olho no mesmo marcado, a Editora Globo lançou há um mês o primeiro volume de uma coleção com a obra completa - 31 livros - de Machado de Assis. Com capa dura e preço de R$ 9,90.
A empresa planeja vender mais de 360 mil cópias desta coleção. Fizemos uma experiência em bancas, ano passado, editando os livros do Érico Veríssimo e obtivemos esta vendagem. Acreditamos que o novo lançamento irá superá-lo, diz o supervisor de marketing da editora, Sérgio Ishikawa. Nossa idéia é lançar umas três coleções destas por ano, revela.
Podemos cobrar um preço bem menor que o das livrarias por termos tiragens grandes. E vender em bancas - em todo o Brasil são mais de 25 mil - faz com que os livros tenham uma oferta muito grande e sejam expostos a um novo público, resume Ishikawa. Outro trunfo utilizado para baratear as edições é prensar os livros no exterior. A coleção Obras Completas de Machado de Assis, por exemplo, é feita na Itália.
Para os donos das bancas de revistas esta tendência também traz lucros. Proprietário de uma banquinha no centro há 30 anos, o presidente do Sindicato dos Jornaleiros do Paraná, Gregório de Bem, diz que atualmente 50% do seu faturamento vem dos fascículos e coleções de CDs, Livros e vídeos. Este segmento passou a ser mais explorada há cerca de três anos, com o sucesso do atlas geográfico que vinha encartado na Folha de São Paulo. Hoje, encontram-se de vídeos infantis e eróticos até coleções de pedras e minerais e modelos em plástico de aviões famosos. A maioria traz CDs ou vídeos.
O interesse dos consumidores vem sendo tão grande que várias editoras estrangeiras invadiram o mercado, principalmente as espanholas, prossegue Gregório de Bem. A Altaya, uma das mais atuantes, chegou ao Brasil com lançamentos em vídeos, CDs e livros. Um dos destaques da sua linha é uma coleção de Blues, que traz ótimos CDs ao preço de R$ 11,90. Muitos deles raros nas lojas e, quando encontrados, dificilmente sairiam por menos de R$ 18,00.
Apesar de algumas deficiências, as coleções conquistaram partidários fanáticos. O estudante Júlio Moutinho, 22, está acompanhando duas ao mesmo tempo: a dos livros de Agata Christie, lançada pela editora Altaya em conjunto com a brasileira Record, e a dos CDs de Blues da Altaya. Ainda comprou alguns números com filmes que cultua da série Clássicos do Cinema. Sempre dou uma passada nas banquinhas para conferir as novidades. Se eu achar algo que goste, compro.


