Aos 32 anos, casada, três filhos, primeiro grau completo, quase a vida inteira trabalhando no campo, Margaret Maran Nunes é hoje uma das principais líderes de mais de 600 famílias de agricultores instaladas em oito reassentamentos organizados pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) no Oeste do estado.
Até 93, Margaret era ‘‘mais uma’’ das esposas de lavradores da área. Aos poucos, ela começou a se envolver diretamente nas discussões (lideradas pelos homens) com a Copel, na busca ao reconhecimento de seus direitos.
Em 93, quando começaram as sondagens no terreno, na área da então futura barragem, entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu, os agricultores ocuparam o local, impedindo a operação das sondas até que a companhia abrisse negociações formais. Nascia, então, a Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), entidade que até hoje lidera as famílias nos reassentamentos, e da qual Margaret é uma das coordenadoras. Ela estava entre os que acamparam no local. De lá para cá, mais de 5 anos se passaram. ‘‘É o tempo de uma boa faculdade, e as lutas na Crabi foram exatamente a minha graduação’’, afirma.
Autodidata, Margaret parte com segurança para qualquer discussão, de questões fundiárias às ambientais, educacionais, sociológicas, políticas e econômicas. Pouco antes de as famílias começarem a se transferir para os reassentamentos, em 97, aquelas destinadas a Cascavel enfrentaram prolongada discussão com autoridades e lideranças empresariais locais, que queriam exatamente uma das áreas (de primeira qualidade), para nela ser construído um grande aeroporto. Em uma reunião na prefeitura, na qual os que queriam a área tentariam demover as famílias de se instalarem no local, Margaret foi uma das vozes que se levantaram para dizer ‘‘não’’.
Hoje, morando no Reassentamento São Francisco, Margaret ainda ajuda o marido, Lari, 37 anos, no trabalho na lavoura, ao lado dos filhos, que ela prepara ‘‘para que se mantenham no campo e não sejam atraídos para a falsa vida mais agradável na cidade’’. Segundo ela, há ‘‘atrativos enganosos, de que tudo é mais fácil na cidade’’, enquanto no campo, ‘‘se as coisas não são fáceis, ao menos temos a segurança da terra, e ela é parte da nossa cultura’’.

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