Laudelino, Jaraguá,
Haroldo, Lourenço,
Mineiro, Álvaro,
Reinaldo, Armando
Walmor Maccarini
Não dá para contar a história da Folha sem falar destes oito: Laudelino Ferraz, Reinaldo Soares Junior, Haroldo de Souza, Lourenço Orsi, Alexandre Rocha Filho, Álvaro Grotti, Reinaldo Grotti, Armando Duarte. Conta-se que, mesmo antes de João Milanez haver chegado de Santa Catarina e nem imaginado botar um jornal na praça, que estes oito já haviam pressentido e o aguardavam, sentados na calçada defronte do presumivel prédio da gráfica da Folha...
Laudelino era técnico em linotipos, uma complicadíssima máquina de 3.000 peças, ainda usada em alguns jornais brasileiros. Um sistema de composição em chumbo quente, caríssimo e fantástico, como nunca se imaginou igual. Quem a inventou era um gênio. A Folha tinha três delas, e só Laudelino as entendia. Devia ser, na época, o melhor técnico do Brasil, na área. Laudelino já faleceu.
Reinaldo, o Jaraguá (apelido que deriva da cidade catarinense onde ele nasceu), foi certamente o maior gráfico que se conheceu. Ele mesmo fazia o diagrama das páginas e as montava. Era no tempo da caixa de tipos, onde cada escaninho tinha sua letra, número e sinais gráficos específicos. Jaraguá sabia, à distancia, o que alguém estava escrevendo, só pela leitura do movimento das mãos sobre a caixa. Ainda hoje, quando fala da Folha, Jaraguá chora de nostalgia.
Aroldo era uma espécie de guarda-costas de Nilson Rímoli, diretor de Redação, e entrou para a fundição gráfica, aquele primitivo sistema de calandra, flan e matriz de chumbo, que, curiosamente, o jornal ‘‘The New York Times’’ ainda utiliza em alguns segmentos. Aroldo está fundido à história deste jornal. Se alguém falar mal da Folha perto dele, ele arrebenta...
Lourenço Orsi, o Pítia, também falecido, foi linotipista. Consta nos arquivos da memória que ele foi o primeiro funcionário da Folha. Ele, como tantos, era gente que trabalhava neste jornal sem pensar se ia receber ou não. O dinheiro era escasso e o salário sempre atrasado, mas tudo o que entrava Milanez distribuía, equitativamente. Dando para comer, estava bom.
Alexandre Rocha, o Mineiro. Deste, então, diz-se que antes de entrar na Folha ajudou João Gutemberg a imprimir a Bíblia. Mineiro (porque era de Minas) trabalhou primeiro na gráfica e depois na venda de publicidade. Para resumir em poucas palavras: não fosse o Mineiro, todos teríamos morrido de fome... porque era ele quem ia cavar o dinheiro suado. Para contar a história do Mineiro teriamos que escrever mil páginas. Ele ainda dá sua contribuição à Folha.
Álvaro Grotti passou de gráfico a diretor-superintendente. Transitou por todos os departamentos, e também escrevia. Homem bom como poucos. Se vivo estivesse, estaria falando páginas inteiras de sua aventura nesta família. Reinaldo, seu irmão e também falecido, começou como entregador de jornal, passou pela gráfica e, como todos, comeu do pão que Deus amassou para que este jornal chegasse às bancas todos os dias.
Armando Duarte. O primeiro a chegar e o último a sair, ainda hoje. Faz a programação publicitária. Se Armando não fornece a página com o diagrama dos anúncios, ninguém consegue orientar-se. Sem ele, seria como uma orquestra sem maestro. Armando também começou como linotipista, e desde que entrou nunca saiu do jornal. É o retrato da precisão e da eficiência. Tranquilo e sereno, nunca se exalta. É difícil não gostar do Armando.

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