Lata de alumínio traz renda extra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de abril de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe Folha 
Uma vez por semana, a garçonete Elizandra dos Santos, de 28 anos, faz o trajeto do trabalho, no Alto da Rua XV até Rio Branco do Sul, onde mora, com uma sacola cheia de latinhas de alumínio. A carga extra tem destino certo. É vendida para um sucateiro da cidade a cada quinze dias. ''Ganho uns 50 reais cada vez'', conta.
Elizandra não é a única a recorrer às latinhas para ter uma renda extra. A atividade é popular graças à valorização da mercadoria. Um quilo de latas, o que corresponde a cerca de 74 unidades, é vendido por cerca de R$ 3. Em todo o Brasil, cerca de 170 mil pessoas vivem da coleta das latas e garantem uma renda média de dois salários mínimos, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas).
No orçamento doméstico de Elizandra, o dinheiro das latinhas chega a quase 10% de tudo o que ela e o marido ganham por mês. ''O dinheiro fica todo com o meu filho de 8 anos, que usa para comprar lanche na escola'', explica. A maior parte vira cachorro-quente e latinhas de refrigerante. ''Assim ele pode fazer o lanche que gosta e eu não preciso gastar com isso.''
A colega de Elizandra, Roseli Barbosa, de 26 anos, conseguiu reforçar a renda da família em dezembro em R$ 150 só com as latinhas que recolheu no trabalho. As duas trabalham na Casa do Pão de Queijo do Extra Alto da XV e têm o apoio do patrão para recolher as latas. ''O único problema é o barulho que as latas fazem dentro do ônibus'', brinca Roseli. Ela deixou de lado a coleta de latas para ajudar a colega. ''Agora tudo que separo vai para o filho dela.''
José Ramalho dos Santos, que é carrinheiro, utiliza as latas para garantir um dinheiro extra na hora do aperto. ''Vou guardando as latas em casa e, quando preciso, vendo'', conta. ''Hoje tem muita gente que vende latinha, então está ficando difícil de achar.''. No Extra, a concorrência é grande também. ''Tem morador de rua que passa por aqui para pegar umas latinhas'', conta Elizandra.
Campanha da latinha
A vereadora Tereza de Jesus de Moraes, de Campo Largo, sempre recorreu à venda de latas e papéis para ganhar um dinheiro extra. ''Comecei quando era criança, mas faz uns dez anos que vivia só disso'', relata. Mas foi na campanha para se eleger vereadora, em 2004, que as latinhas tiveram um papel fundamental. ''Eu ia na casa das pessoas fazer campanha e elas me davam o lixo.''
Quando trabalhava como catadora, Tereza conseguia uma renda mensal de R$ 700. ''Dava para pagar a conta da água, luz, telefone'', aponta. Além de vender latas, ela também arrecadava jornal velho. ''Deu para criar meus três filhos.'' O sonho agora é conseguir comprar um carro. ''A casa própria eu já conquistei'', comemora.
País da reciclagem
O Brasil é o país que mais recicla latas de alumínio em todo o mundo. Pelo menos 94,4% das unidades comercializadas no país são recicladas, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). ''Esse índice só é viável graças à participação do catador no processo'', informa o coordenador da Comissão de Reciclagem da Abal, Henio de Nicola.
Segundo Nicola, o ciclo das latas de alumínio tem duração de 31 dias no Brasil. Ou seja, entre a produção de uma latinha e sua reciclagem se passa um mês. ''Cem por cento do material da lata é aproveitado'', adianta. A reciclagem também tem um impacto positivo no processo uma vez que, para produzir uma lata reciclada, se utiliza apenas 5% da energia necessária na produção de uma lata nova.


