Mário CésarMaurício Barbosa: a Orange Juice é uma das poucas regularizadas em Londrina As pequenas empresas que industrializam suco natural de laranja, em Londrina, estão passando por uma fase difícil. Iniciativa nova, o ramo apareceu no início de 95 na cidade e pareceu a ‘‘salvação da lavoura’’ de muita gente que sonhava com um negócio lucrativo e viável com baixos investimentos. No ápice da euforia, a cidade chegou a contar com 12 empresas credenciadas industrializando o suco de laranja e espalhando dezenas de ‘‘laranjinhas’’ - carrinhos com a forma da fruta que vendem o produto no sistema ambulante - pelos quatro cantos da cidade.
Mas a euforia passou com o primeiro verão chuvoso. O consumo caiu e, junto com ele, despencaram os lucros. Das empresas que nasceram durante o ‘boom’, oito continuam em atividade. Sete trabalham com carrinhos, e a maioria atua apenas como distribuidora de sucos recompostos (extrato da fruta adicionado com água e adoçado). Espremendo laranja mesmo, devidamente registradas e funcionando com alvará da vigilância sanitária, três se destacam: a Pura Fruta, a Orange Juice e a Supra Suco.
As máquinas compradas a US$ 12 mil começaram a aparecer no mercado por menos da metade do preço. Eram empresas falindo e empresários desistindo. Os microempresários que continuam afirmam que a renda com a atividade garante a sobrevivência, mas não deixa ninguém ‘‘rico’’. Medo da concorrência? É difícil analisar, cada microempresa vive uma realidade.
‘‘Até agora não conseguimos pagar os investimentos que fizemos’’, conta Maurício Barbosa, sócio da Orange Juice. Ex-bancário, ele comprou a empresa há dois anos, e conta que teve de reduzir o número de funcionários para viabilizar o negócio. ‘‘Começamos com sete funcionários e hoje estamos reduzidos a um’’, conta. Apesar da situação crítica, no início do ano, a Orange Juice comprou a Da Fruta - parte dos equipamentos e o logotipo. Até o final do ano, a marca Da Fruta vai continuar sendo distribuída através da Orange Juice, para aproveitamento dos rótulos. Depois deixa de existir.
Hábito‘‘Os clientes estão sendo avisados da mudança e já estão recebendo o nosso produto, embora o rótulo ainda seja o da Da Fruta’’, diz. Todo dia, por volta das 7 horas da manhã, Barbosa faz ele mesmo a entrega do suco. Entre os clientes da empresa estão as Lojas Americanas, hotéis, escolas, padarias e restaurantes. A Orange Juice não trabalha com a venda do produto em carrinhos ambulantes. ‘‘Estamos estudando esta possibilidade. Mas, pelo menos por enquanto, consideramos muito caro’’, afirma Maurício Barbosa. Em baixa temporada, a Orange Juice distribui cerca de 250 embalagens de suco, a maioria de 300 e 500 mililitros.
Segundo Barbosa, o lucro obtido no negócio oscila entre 20% e 30%, variando de acordo com o clima e já contabilizadas as devoluções do que não for vendido. Produto natural, o suco tem validade por dois dias. Após este prazo, as empresas retiram o suco velho e fornecem produto fresco. A comercialização é feita dentro do sistema de consignação: só se paga o que é vendido. ‘‘Dependemos diretamente do consumo e a vontade do consumidor depende do clima. É um negócio extremamente sazonal’’, diz.
Outro grande obstáculo, acrescenta, é a falta de hábito da população de consumir sucos naturais. Sem poder contar com a preferência do paladar, a venda de suco natural enfrenta a concorrência dos refrigerantes.

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