Lanternas têm campo de trabalho
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segunda-feira, 03 de setembro de 2012
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Enquanto Medicina, Direito, Engenharias têm concorrência altíssima, existem cursos em que a procura é bastante inexpressiva. Há, inclusive, casos em que sobram vagas. De certa forma, são vistos com maus olhos pelos vestibulandos, que associam a falta de interesse do público com baixa qualidade do curso ou mercado de trabalho defasado. Especialistas em carreira, contudo, são categóricos ao dizer que isso não deve ser critério de escolha da profissão.
Para se ter uma ideia da discrepância, no último processo seletivo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) quem tentou o curso de Medicina teve de enfrentar uma concorrência de nada menos que 90,82 candidatos por vaga, na categoria universal (sem cotas). Já Arquivologia teve uma concorrência de apenas 1,29 candidato por vaga. Por sua vez, o curso de Letras com ênfase em língua espanhola obteve 0,44 na relação candidato/vaga, ou seja, mais vagas que candidatos. Neste caso, basta o aluno atingir as notas mínimas exigidas nas provas para ingressar no curso.
Engana-se quem pensa que cursos menos concorridos não têm campo de trabalho. Muitas profissões estão pagando muito bem, sobretudo, por falta de profissionais qualificados em determinadas áreas consideradas não tão interessantes, diz a titular da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops) da UEL, Maria Cristina Bulhões Simon. Porém, segundo ela, é preciso diferenciar estes casos dos cursos em que, além da baixa concorrência, também existe muita evasão, a exemplo de Ciências Econômicas ou Física, porque possuem disciplinas difíceis que exigem bastante dedicação do aluno.
Treineiros
O lado bom da baixa concorrência é que os treineiros aproveitam a oportunidade para testar os conhecimentos. Um candidato que futuramente pretende cursar Engenharia, por exemplo, faz o vestibular para Matemática, que tem as mesmas disciplinas específicas na prova. Como o objetivo dele é conhecer todas as etapas do processo e, não, ser aprovado, isso acaba sendo um atrativo, completa Cristina. Mesmo que o candidato treineiro seja aprovado, ele não pode ingressar no curso, que exige diploma do ensino médio.


