Lances pitorescos marcam disputas
Com 27 anos de experiência no ramo, o leiloeiro Antonio Costa diz que já vendeu de tudo, ''de urna funerária a avião''. Ele atua em todo o Paraná e realiza pelo menos um leilão por semana na Justiça do Trabalho, Federal em casos de falências, além de leilões particulares. Em todos os casos, recebe 5% de comissão sobre as vendas.
Para aumentar o público que comparece aos leilões, Costa vai atrás do potencial comprador. Além de publicar anúncios, o escritório dele mantém cerca de 10 mil pessoas cadastradas. Clientes que manifestam suas preferências e são avisados por fax, e-mail e até pelo telefone a cada novo edital. ''Os editais publicados pela justiça aparecem com letras muito pequenas, pouca gente lê'', diz o leiloeiro, que também mantém uma página na internet. ''Outros deixam de ir porque pensam que vai dar muita gente'', completa.
Além de vendedor, Antonio Costa, muitas vezes, atua como conselheiro. Às vezes, um palpite dele durante o pregão pode determinar o destino do bem. ''Costumo dizer aos reclamantes, que, dependendo do caso, compensa comprar o que está sendo leiloado e revender. Em Maringá, uma pessoa seguiu meu conselho e arrematou uma boa quantidade de óleo de soja, meio desconfiada. Uns dias depois, essa pessoa veio me agradecer, porque tinha conseguido vender tudo por um ótimo preço'', relembra.
Costa também testemunhou situações em que a disputa por um bem foi tão acirrada que chegou às vias de fato. ''Um cliente em Curitiba arrematou ferro-velho pelo triplo do preço só pra não deixar para o concorrente. No final, o produto saiu supervalorizado, e só não se tornou prejuízo porque apareceu outra pessoa querendo comprar todo o lote'', diverte-se.
Outra situação engraçada, segundo o leiloeiro, acontece quando pessoas que não estão acostumadas com os leilões se animam a dar lances. ''Uma vez teve um cidadão que ofereceu num lance R$ 1,00 a mais. O público ficou surpreso, e eu também, mas o candidato a comprador desistiu quando outro cobriu com R$ 100 a mais''. Num leilão judicial, não é proibido dar lances com valores pequenos, mas a prática é de atualizar os valores em números redondos (R$ 50, R$ 100, R$ 1000, etc.)
Também já aconteceu de pessoas arrematarem bens 'por brincadeira'. ''Quando foi fazer o cadastro, o comprador disse que os lances não eram de verdade. O juiz deu voz de prisão ao 'brincalhão' e ainda fixou multa de 25% sobre o lance'', recorda. (R.J.)





