Alunos do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apresentaram, sábado passado, o resultado de um desafio que decidiram enfrentar no fim do ano passado: construir catapultas, semelhantes àquelas utilizadas na Idade Média para mostrar, na prática, os princípios da física e da engenharia mecânica.
As provas foram disputadas no campo do Centro de Educação Física do Politécnico por cinco equipes - quatro formadas por estudantes de física e uma por alunos do curso de engenharia mecânica. Durante o torneio, uma banca formada por três professores julgou não apenas a capacidade de projetar objetos de cada uma das catapultas, como também o funcionamento dos mecanismos. Ao final, foram distribuídas medalhas a todos os participantes, numa premiação simbólica. A equipe intitulada Os Impossíveis, composta por cinco alunos do curso de física que construíram uma catapulta de madeira, recebeu ainda um troféu por ter cumprido todas as etapas da prova.
O professor Evaldo Ribeiro, um dos idealizadores do evento, faz parte do projeto Provocação e Reação, que reúne também os professores Renato Moreira Angelo e Kleber Daum Machado, cujo objetivo é resgatar a relação dos alunos com o curso de física. ''Uma das formas de fazer isso é sair da sala de aula e discutir o assunto de modo mais informal'', explica Ribeiro, que ficou surpreso com a mobilização dos alunos. ''Discutimos como seria esse evento durante mais ou menos um ano, divulgamos, tivemos o apoio do Centro Acadêmico e o projeto acabou atraindo também o pessoal da engenharia mecânica, que achou a idéia bem divertida'', acrescentou o professor.
Madeira, chumbo, metal, borracha e plástico foram as principais matérias-primas utilizadas pelas equipes na construção das catapultas. A montagem era completamente livre, desde que os mecanismos fossem capazes de lançar objetos - projéteis - de, no mínimo, um quilo a uma distância de 15 metros pelo menos. Os alunos levaram, em média, três meses para concluir os protótipos que, em breve, deverão ficar expostos à visitação pública no Centro Politécnico.
O entusiasmo dos alunos com o evento fez com que muitos trabalhassem na construção das catapultas durante as férias. ''Vimos que o projeto envolvia milhões de coisas. Levamos uns três meses para fazer tudo, começamos durante as férias e tivemos o apoio do pessoal da empresa junior da qual participamos, com eles aprendemos, por exemplo, como usar o torno'', contou Adonis Rocha, 18 anos, do segundo semestre de engenharia mecânica. Junto com os colegas Djosef Rocha, Guilherme Vasel, Marlus Bially, Henrique Toaldo e Paulo Moro, ele construiu uma catapulta de ferro e PVC para lançar projéteis de chumbo.
''Fizemos bastante pressão para que esse projeto acontecesse, pois ele já estava no papel há algum tempo'', destacou o estudante Vinnius Kruger, 26 anos, aluno do quarto semestre de física, que já faz estágio na área. Segundo ele, além de estimular a pesquisa e difundir os conceitos da física, as iniciativas realizadas fora da sala de aula são muito importantes porque promovem a interação entre alunos e professores, além da troca de idéias. ''Além disso, essas iniciativas são ótimas para quebrar o preconceito (em relação ao curso de Física)'', ressaltou Igor Konieczniak, 27 anos, aluno do quinto semestre e um dos integrantes do Fibra - Física Brincando e Aprendendo, projeto de extensão universitária voltado ao ensino da matéria a estudantes do ensino médio.
A intenção do grupo Provocação e Reação do Centro Politécnico é realizar eventos semelhantes ao torneio do último fim de semana, ao menos uma vez por ano. ''Já estamos pensando no que vamos fazer no ano que vem para atrair a atenção dessa gurizada'', afirmou Evaldo Ribeiro, professor de Física 1.


SAIBA MAIS
1) As primeiras catapultas surgiram por volta de 400 a.C, adotadas como armas de guerra por Dionísio de Siracusa e Onomarchus da Fócida. Eram usadas como artilharia nos campos de batalha e também durante os cercos aos inimigos. Foi Alexandre ‘‘O Grande’’ quem começou a usá-las na cobertura do campo de batalha.
2) O mecanismo consiste em utilizar um braço para lançar objetos a grandes distâncias, evitando possíveis obstáculos como muralhas e fossos. O criador, segundo consta nos registros históricos foi o matemático Arquimedes.
3) Conta-se que, em épocas medievais, catapultas e mecanismos de cerco relacionados eram as primeiras armas usadas nas chamadas guerras biológicas. As carcaças de animais doentes e daqueles que morreram da peste negra ou de outras doenças eram carregadas como munição e então arremessadas contra as paredes dos castelos para infectar aqueles trancados dentro. As catapultas foram substituídas com o aparecimento da pólvora e do canhão que acabaram por as tornar obsoletas.
Fonte: UFPR

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