Lago Azul busca o turismo ecológico
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Simone GirotoUma das trilhas leva a uma belíssima cachoeira no Rio Mourão Que cidade se dá ao luxo de possuir a apenas 10 quilômetros do centro um lago com 14 quilômetros de extensão em que podem ser praticados os esportes náuticos? Não muitos, e entre eles, Campo Mourão. Isso graças ao represamento do Rio Mourão com a construção da Usina Mourão I, em 1964. O lago manteve uma área de floresta nativa de 560 ha, na saída para Curitiba (BR-487).
Apesar do grande potencial turístico, a região do lago, agora batizado de Lago Azul, passou muitos anos esquecida. Quem a descobriu foram pessoas que ali construíram casas. O poder público, porém, só começou a discutir o aproveitamento há cerca de cinco anos. A história começou a mudar em 95, quando a prefeitura firmou convênio com o governo do Estado e a Copel, que é a dona de tudo, para criação do Centro de Educação Ambiental no local.
A instalação do Centro foi o primeiro passo rumo ao objetivo alcançado no final de julho deste ano: a criação do Parque Estadual Lago Azul, oficializado em solenidade com o governador Jaime Lerner. A criação do parque trouxe um grande alívio para a cidade, que temia deixar esse sonho escapar com uma eventual privatização da Copel. Além disso, com a implantação, fica assegurada uma melhor fiscalização da mata.
O parque fica numa área de 1.800 ha. Tirando os 560 ha de mata, o restante é o lago, que começa em Campo Mourão e vai até Luiziana. Como a área agora é pública, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), além da fiscalização, vai poder também buscar recursos externos para projetos. O mais esperado, no entanto, é que a criação do Parque do Lago Azul agilize o processo que prevê a formação de uma área pública de lazer às margens do lago.
HospedariaO projeto já existe, mas até agora vem esbarrando em questões burocráticas. Com ele, qualquer pessoa poderá ter acesso ao lago, que atualmente é restrito aos proprietários de chácaras no seu entorno. Há dois anos, o público começou a ter acesso às belezas da área com a criação do Centro de Educação Ambiental. O centro foi construído numa antiga hospedaria da Copel e que, no passado, abrigou personalidades em visita.
O Centro também sempre visou o ecoturismo. Três trilhas interpretativas na mata nativa, por exemplo, mostram o que há de mais belo no novo parque. Os visitantes passam por cachoeiras e conhecem as ruínas da antiga usina hidrelétrica abandonada, antecessora da Mourão I instalada nos anos 50. Numa delas o visitante vive uma pequena aventura, caminhando em contato direto com a natureza durante 90 minutos. Vale a pena.


