Simone GirotoO laboratório comunitário para a vespinha é o primeiro feito no BrasilApós o programa de microbacias, os produtores deram outro passo importante, quando estabeleceram a substituição de agrotóxicos pelo Baculovírus anticársia para o combate à lagarta da soja. Desde 1985 eles desenvolvem essa tecnologia, que foi criada pela Embrapa. Através dela, a lagarta come as folhas da soja contaminadas com a aplicação de vírus e morre até nove dias depois, soltando mais vírus no ambiente e ampliando o controle. Em sete anos, o uso do novo sistema cresceu cerca de 20 vezes em toda a região de Campo Mourão. Mais uma vez, a Microbacia do Rio do Campo serviu de exemplo.
Quem tem o maior exemplo das vantagens obtidas com o baculovírus é o produtor Mílton Munhoz que, em 156 alqueires, consegue economizar o equivalente a um carro popular zero quilômetro apenas por trocar os agrotóxicos tradicionais pelo método natural de combate à lagarta. Mas não é só isso. Desde 94, a microbacia também deixou de usar veneno para o controle do percebejo da soja. O milagre chama-se Trissolcus basalis, conhecido popularmente como vespinha da soja. Ela se desenvolve dentro dos ovos e, cada uma, chega a parasitar 250 ovos de percevejo.
Primeiro do PaísA vespinha pode ser encontrada normalmente no ambiente, mas não em quantidade suficiente para combater o ataque dos percevejos. Para resolver esse detalhe, a Associação de Moradores da Bacia do Rio do Campo se uniu com a prefeitura e com outros órgãos, além da iniciativa privada, para construir um laboratório de produção do inseto. É o primeiro laboratório com essa finalidade feito através de sistema comunitário em todo o País. No laboratório, as vespinhas são criadas em condições ideal de reprodução. Depois, basta soltá-las na plantação.
Engana-se, no entanto, quem pensa que os produtores da microbacia estão lucrando ‘‘apenas’’ com a preservação do meio ambiente. Se isso já não fosse suficiente, eles também estão conseguindo aumentar seus lucros. Primeiro, porque gastam menos com agrotóxicos. Depois, porque já conseguiram chamar a atenção até de compradores japoneses, australianos e norte-americanos. Eles se interessaram pela soja produzida sem veneno e chegaram a oferecer pelo produto um preço 30% acimado preço praticado pelo mercado nacional. (S.S.)

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