Lados convivem pacificamente
Na opinião de Jonis Rodrigues, as duas prefeituras deveriam fazer um acordo, tratar as duas avenidas como se fossem uma só e sinalizar aos motoristas que é permitido subir somente por um lado e descer por outro. Isso facilitaria o trânsito, acredita.
Jonis lembra ainda que o fato de morar na divisa já trouxe problemas com o endereço. Ele conta que algumas empresas não conseguiam entregar a encomenda para a sua loja porque procuravam o endereço no mapa de Londrina...
Rindo, o comerciante observa que os moradores da região costumam dizer que do outro lado da via é o Brasil e, do lado de Cambé, é Paraguai. Apesar da brincadeira, ele ressalta que em Cambé existe a vantagem dos preços menores. O aluguel aqui é bem mais em conta, exemplifica.
O comerciante José Barbosa, que possui uma loja de produtos veterinários do lado londrinense, reforça as vantagens de Cambé. Ele informa que costuma pagar as contas de água, luz, fazer compras e enviar correspondência do outro lado da rua. Tem um posto avançado do Banestado aqui perto, além de dois bons supermercados e uma agência do Correio, observa. Com exceção de um certo bairrismo de ambas as partes, Barbosa diz que a convivência entre cambeenses e londrinenses da divisa é pacífica.
A dona-de-casa Lucinda da Silva César mora no número 563 da avenida Marechal Deodoro da Fonseca há 23 anos. Mas está tão acostumada com a proximidade do município vizinho que quando lhe perguntam onde mora, diz que é em Londrina. Tem muita gente deste lado que fala que gostaria de pertencer a Londrina, talvez por ser é um município maior, afirma.
Lucinda diz saber que estava na divisa desde que se mudou para a avenida. Mas lembra que, na época, existiam lojas e casas somente do lado de Cambé.Em Londrina só tinha terra e capim colonião, relata. Segundo a dona-de-casa, somente depois de muitos anos é que as casas começaram a surgir do lado londrinense e os comerciantes passaram a se instalar na Deodoro da Fonseca.
UnidosHoje, os dois municípios estão tão unidos que, afirma Lucinda, os moradores dos dois lados acham que residem em uma mesma cidade. Em termos de telefonia, pelo menos, eles estão certos. É que desde o final de 1995, quando foi implantada a conurbação entre os dois municípios, tarifas das ligações telefônicas de Londrina para Cambé (e vice-versa) deixaram de ser interurbanas.
Mas integração mesmo deve acontecer se a Assembléia Legislativa aprovar um projeto de lei complementar que institui a Região Metropolitana de Londrina, formada por, além de Londrina, Cambé, Jataizinho, Ibiporã, Rolândia e Tamarana. De autoria do deputado Eduardo Trevisan, o projeto ainda não foi votado.
O projeto prevê que a região metropolitana terá conselhos integrados por membros indicados pelo governo, prefeitos e sociedade. O objetivo dos conselhos será de elaborar um plano de desenvolvimento integrado e a programação de serviços públicos e privados comuns. A região metropolitana abrange uma população de 632 mil habitantes. (L.O.)





