LADO B
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de março de 2009
por Bia Moraes 
Para vender erotismo,
não precisa ser sexy
Modelos que posam com lingerie precisam ter corpão e exalar sexualidade para vender o produto. Mas o que é necessário para trabalhar como vendedora de sex-shop? Magali Gottardo, dona da Josephine Sexy, explica.
FOLHA DE LONDRINA - É preciso ser sexy e bonita para trabalhar como vendedora aqui?
MAGALI GOTTARDO - Não. Precisa ter um certo feeling e tino para vendas.
Experiência conta?
O que menos me importa é a experiência anterior. Nem espero que já tenha trabalhado em sex shop, afinal esse mercado é muito pequeno e restrito aqui. Se tiver experiência em vendas, legal. Mas se não tiver, e eu perceber que tem talento para trabalhar aqui, vale. O que conta mesmo é o treinamento que dou.
Vendedora de sex-shop é do tipo discreta ou precisa ficar junto, dando sugestões?
Nem uma coisa nem outra. É um equilíbrio delicado. Não pode pressionar nem deixar o cliente muito solto. Por isso o feeling necessário. Muitas mulheres vêm pela primeira vez, não conhecem os produtos. A vendedora precisa explicar, delicadamente, como usar, para que serve, qual lingerie combina mais com o estilo da pessoa.
É como uma aulinha de educação sexual?
Acaba sendo. A sex-shop funciona como consultoria. Mulheres muito reprimidas, que não sabem viver sua sexualidade, precisam de orientação. A gente acaba fazendo esse papel.
Gafes teatrais
A festa de abertura do Festival de Curitiba, terça-feira, não agradou todo mundo. A coluna ouviu comentários sobre algumas gafes e confusões.
O reitor Zaki Akel, da UFPR, que estava presente, não foi sequer mencionado, nem chamado ao palco, embora a Universidade seja parceira institucional do evento.
O acesso foi confuso: havia um evento paralelo rolando em outro bloco do Cietep. Muita gente perdeu mais de meia hora no trânsito, entre Avenida das Torres, entrada no estacionamento e parar o carro. Dentro da festa, sensação de sufoco com a falta de ar-condicionado, pois os ventiladores não deram conta do recado.
Muitos convidados acharam exagerada a coreografia apresentada antes da banda que animou a festa. Os bailarinos vestiam macacões azul e laranja - exatamente as cores da logomarca do banco patrocinador.
FOLHA DE LONDRINA - Você é um homem vaidoso?
ROMANELLI - Não! Só tenho vaidade intelectual. Me preocupo em não falar errado. Ah, sim, gosto de ser fotografado por um ângulo especial.
Que história é essa de ângulo de foto?
Aprendi com o grande fotógrafo Orlando Azevedo. Ele me mostrou que eu tenho um ângulo mais favorável. É quando a foto pega meio por cima, meio de perfil, de um determinado lado. Aí não aparece a papada, sabe como é?
Já saiu muita foto sua exatamente nesse ângulo. Então você não tem vergonha da calvície, certo?
De jeito nenhum! Aliás, tenho orgulho da minha calva!
Corta o cabelo em salão ou barbeiro?
Barbeiro, sempre. Aliás, em qualquer um. Mando passar a máquina e pronto. Pago dez, quinze reais para cortar o cabelo.
Para sair bem na foto, você usa cremes ou produtos especiais? Se preocupa com a aparência, com a idade?
Nada de creme, nada de nada. Sou aquele tipo que usa creme de barbear e sabonete, só. E desodorante, pra ficar cheirosinho.
Então você, definitivamente, não é metrossexual. Está mais para um "neandertal"?
Dá pra dizer que nesse ponto sou meio homem das cavernas (rindo).
Você aparece muito na Agência de Notícias do governo. Sempre tem matéria com você, com foto. Por que isso?
Sou um político atuante. Trabalho, mostro serviço, sou um homem público. Não me escondo, dou minhas opiniões, falo o que tiver que ser dito, sabendo que posso ser criticado. E eu acho mesmo que todo político tem que ser midiático.
Lindo e abandonado
O prédio da foto é catalogado como Unidade de Interesse de Preservação do município. Trata-se do Edifício Engenheiro Teixeira Soares, na Rua João Negrão, ao lado da Ponte Preta. Construído nos anos 50, serviu como abrigo de oficinas de locomotivas e sede dos escritórios da Rede Ferroviária Federal. Belíssimo exemplar da arquitetura do período, com detalhes artísticos inigualáveis, o imóvel guarda histórias de uma época que não volta mais.
Com a privatização da RFFSA, a partir de 1997, o prédio não ganhou mais reformas nem conservação adequada. Repassado há mais de um ano para a Universidade Federal do Paraná, o imóvel está assim: fechado, sem uso, degradado e cada vez mais destruído.
A UFPR afirma, em seu boletim de notícias, que a equipe que coordena o Plano Diretor da universidade vem realizando, durante todo esse tempo, um levantamento arquitetônico para avaliar as condições do imóvel, que poderá abrigar salas de aula.
Enquanto isso...
OUTRAS PALAVRAS
"Ginsberg sempre foi um herói para mim. Sim, ele era gay e não escondia isso. Naquela época, eles sofriam muito preconceito e chegavam até a colocar os caras em hospícios por isso."
Do ator norte-americano James Franco, sobre o poeta beatnik Allen Ginsberg - papel que ele vai interpretar no cinema. Do blog Papel Pop.
Quando um homem feio é endeusado
O publicitário Benito Maeso, 36 anos, e o filho, Gabriel, de 13, são fãs do Motörhead. Mais do que isso. São seguidores da banda, especialmente do vocalista, Lemmy Kilmister. Com mais de 60 anos nas costas, feio, tosco, cabeludo e esquisito, Lemmy é considerado uma espécie de "deus" por uma horda imensa de machos mundo afora. Mulheres também caem na cama dele como abelhas no mel - reza a lenda que Lemmy já passou a casa dos milhares faz tempo, em termos de conquistas amorosas.
No Brasil, o roqueiro possui dezenas de comunidades virtuais em sua homenagem. Toda essa turma conta os dias que faltam para a banda se apresentar em Curitiba, em 12 de abril. Benito, fundador da comunidade "Caracu com Ovo", explica o fascínio pelo cara:
"Lemmy é feio, sujo e malvado de verdade. Não faz pose. É roqueiro autêntico, que nunca se dobrou a nenhuma moda ou tendência. A banda, com mais de 30 anos de estrada, sempre fez um som cru, bem honesto. Além disso, debaixo dessa aparência bruta, o cara é inteligente pra caramba. Representa o verdadeiro espírito do rocknroll!"


