Guaíra – Em Guaíra, município no extremo Noroeste do Estado que faz divisa com o Mato Grosso do Sul e fronteira com o Paraguai, a impressão que se tem é de que todos os caminhos são usados para atividades criminosas. A profusão de trilhas, portos clandestinos no Lago de Itaipu e rios secundários, estradas rurais e rodovias estaduais e federais servem para o ingresso de armas, drogas e toda sorte de produtos contrabandeados.
  Na tentativa de barrar a criminalidade, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), aliada a outras forças federais, trabalha na fiscalização e combate por terra, água e ar. A PRF já atuava em algumas rodovias no Paraná, mas só recentemente, quando retomou a responsabilidade pela malha rodoviária federal no Estado, passou a ser mais percebida pela população em geral.
  Em Guaíra, onde vivem 28 mil pessoas, o resultado dessa mudança já é sentido pelas quadrilhas que atuam na região. Para conhecer a atuação desses policiais a FOLHA acompanhou dois dias de trabalho (6 e 7 de julho) na região de fronteira. Embora não tenham que patrulhar uma grande área, os agentes precisam lidar com diversas outras dificuldades.
  Conforme o inspetor-chefe da delegacia local, David Alves, uma equipe de 30 policiais se reveza no patrulhamento da Ponte Ayrton Senna – ligação de Guaíra a Novo Mundo (MS) e passagem obrigatória para quem se dirige a Salto Del Guayra, no Paraguai – e em mais 130 quilômetros da BR-163 (Guaíra/Marechal Cândido Rondon), da PR-272 (Guaíra/Francisco Alves) e do complexo de pontes de Porto Camargo. ‘‘Nas estradas vicinais e ramificações, é comum trabalharmos em conjunto com a Receita Federal e a Polícia Federal. Temos o interesse de unir forças para suprir o número insuficiente de agentes e conseguirmos prestar um serviço de qualidade’’,
complementa Alves.
  No dia 6, a FOLHA percorreu a região por ar e por terra. Do helicóptero Patrulha 7 é possível ver a infinidade de portos clandestinos no Lago de Itaipu, rios (sobretudo o Piquiri) e igarapés, além das trilhas e caminhos abertos pelas quadrilhas. O equipamento é fundamental também para driblar a vigília que os criminosos fazem sobre a Polícia. ‘‘Temos ciência de que somos monitorados pelo crime organizado e a aeronave leva vantagem pela sua capacidade de mobilização e difícil monitoramento’’, analisa o inspetor-chefe.
  Na primeira noite de patrulhamento, a reportagem acompanhou duas equipes na PR-272. Na segunda, embrenhou-se com outras três equipes pelas estradas rurais que retalham a região em um sem-fim de rotas.
  O inspetor-chefe avalia que os criminosos têm suas ações facilitadas principalmente pela grande extensão do lago, que é navegável até Foz do Iguaçu e com a margem brasileira disponível para a aproximação de barcos de pequeno e médio portes. No Paraná, são cerca de 330 quilômetros de fronteira, grande parte deles na área do lago. Só na Ponte Ayrton Senna, o fluxo de veículos chega a 10,5 mil por dia. ‘‘Os criminosos têm uma grande extensão para atuar e a Polícia tem dificuldade para estar em todos estes pontos. Mas temos melhorado
o patrulhamento com o
uso do helicóptero e
aumento do efetivo.’’

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