Lá vai o sol...
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
Às 18h30 de uma quarta-feira as amigas Indina Poter e Taís Pereira estariam, normalmente, no caminho do trabalho para casa. Mas, nos últimos três meses, elas têm aproveitado os finais de tarde para se exercitar na Praça Oswaldo Cruz, no Centro. As atividades extras são realizadas graças ao horário de verão, que, após 126 dias, chegará ao fim amanhã. Neste sábado, à meia-noite, os relógios deverão ser atrasados em uma hora.
Como a maioria dos que dizem gostar do fuso especial, as moças ressaltam a principal vantagem deste período em que os relógios são adiantados em uma hora: ter um tempinho livre para o lazer em um horário em que, geralmente, já estamos pensando nas obrigações a serem realizadas no dia seguinte.
Como trabalho em hospital de manhã e à tarde, nesse período em que fica claro até mais tarde aproveito para fazer alguma coisa diferente, conta Taís, que é técnóloga em radiologia. Eu faço natação aqui também, inclusive no inverno, mas nada se compara a se exercitar nesse período, acrescenta a bióloga Indina. Morador de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana, e trabalhando em Curitiba, Valdecir Mora, gosta da sensação de voltar para casa mais cedo. (Esse horário) É melhor para trabalhar, garante.
Quem também só vê vantagens em acelerar os ponteiros por 60 minutos é a socióloga Rose Arins. Moradora do Cabral, ela passou a pedalar, durante todas as tardes, cerca de 12 km, indo e voltando da academia onde pratica hidroginástica, no bairro Capão da Imbuia. Minha irmã mora lá e esta é uma oportunidade de nos encontrarmos para realizar uma atividade juntas. Com o fim do horário de verão, serei obrigada a ir à academia de carro, lamenta.
O dia claro até mais tarde e as altas temperaturas, típicas da estação, formam a combinação perfeita também para um outro tipo de lazer, o happy hour, que já se tornou hábito nas grandes cidades brasileiras. Sair do escritório e dar uma paradinha para conversar com os amigos em bares e restaurantes é um dos programas preferidos dos curitibanos nos dias quentes.
Durante o horário de verão não dá vontade de ir direto para casa. Acho que todos ficam mais à vontade e acho que aproveitam mais o dia. Vou ficar um pouco triste (a partir de sábado), admite a administradora Carla Montanino que, mesmo tendo nascido na capital e sempre vivido por aqui afirma não gostar do frio. Eu choro no inverno, diz.
O empresário Daniel Zanella, que compartilhava com Carla uma mesa na varanda de um dos diversos bares do Batel, depois do expediente, concorda. Tenho a sensação de que, nesses dias, as pessoas ficam mais soltas, mais falantes até, argumenta.
Embora não haja um levantamento preciso, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que, durante os meses do horário de verão, o movimento nos estabelecimentos aumente de 5% a 10%.
O que a gente percebe é que as pessoas gostam mais do horário de verão porque fica claro até mais tarde. O retorno ao horário normal inibe um pouco o movimento, reconhece Marcelo Woellner Pereira, presidente da entidade no Paraná.


