Khury deixa vazio no cenário político
Arquivo FolhaAníbal Khury: grande articuladorA morte de Anibal Khury, ocorrida no final do mês de agosto, abriu um quadro político na vida do Paraná. Político que ocupou espaço preponderante na vida paranaense ao longo de quase meio século, Khury foi amado e odiado por muitos. Exerceu com rara firmeza o controle político, logrando até manter-se em evidência mesmo quando, no período da ditadura, teve seu mandato cassado e os direitos políticos suspensos.
Quando pôde afinal voltar à vida pública, conquistou não só mandato para a Assembléia, mas manteve o controle sobre a política com seu modo bonachão e firme. Seu prestígio continuava inabalável, o que se percebe pelo fato de haver sido eleito por unanimidade, no começo deste ano, para a presidência da Assembléia. Em uma época de tantas disputas e com uma oposição que luta por posições, o fato de Khuryl ter conquistado todos os votos dos seus pares para ocupar, outra vez, a presidência do Legislativo, fala por si da força e da capacidade do político.
Uma angioplastia, realizada no começo do ano, e que o levou a um curto afastamento da cadeira na Assembléia, não chegou a assustar. Parecia apenas um pequeno acidente, sem maiores consequências. Khury retornou ao cargo, com a costumeira firmeza, agindo de modo rápido e firme contra agentes de trânsito que estavam multando veículos no estacionamento destinado aos carros da Assembléia.
Foi também a firmeza de Anibal Khury quem acabou com um incidente provocado pela iniciativa de alguns parlamentares que queriam adquirir carros importados para a Assembléia. O assunto, como nem poderia ser diferente, rendeu debates, fortes críticas aos deputados, até que o presidente do Legislativo interveio e sustou a aquisição dos importados.
Em julho, Khury ocupou, interinamente, o Governo do Estado. Lerner estava ausente em uma de suas costumeiras viagens, a vice, Emília Belinati também tinha compromissos, cabendo ao presidente do Legislativo ocupar o cargo. Foi um momento delicado, pouco depois de o MST haver instalado um acampamento diante do Palácio do Iguaçu. Com seu costumeiro modo, Khury considerou que havia faltado firmeza ao governador na questão. Ele pretendeu coibir construções de barracos pelo MST. Mas acabou cedendo, com o que o incidente se resolveu.
Também enquanto ocupava a chefia do Executivo, Khury autorizou aumento aos delegados, indicando que apenas obedecia à lei.
Em fins de agosto, o líder foi hospitalizado. Em seguida, foi operado. Seu estado foi se agravando até que ocorreu a morte.
Sepultado com todas as honras, alvo de homenagens até mesmo dos desafetos, Anibal Khury deixou um vazio que dificilmente será preenchido. Um ciclo da História política do Paraná se encerrou com sua morte.
A Assembléia, no começo de setembro, elegeu Nelson Justus para a presidência.
Dez semanas após a morte de Anibal Khury, nota da Assembléia revelava que, em média, 50 funcionários da casa estavam sendo demitidos por semana, o total atingindo até então 250 demissões.

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