Dirceu Galdino Cardin, autor de várias obras, inspirou-se na batalha homem-animal para compor versos inspirador
O eterno desafio entre os peões e suas aparentemente indomáveis montarias e o ritual dos rodeios fazem da obra do jurista maringaense um convite a se debruçar sobre as fotos e enxergar a real dimensão dessa eterno desafioHomem acostumado a aprofundar-se longamente em estudos complexos, relacionados a diversos ramos do direito, Dirceu Galdino Cardin trabalha em casa, cumpre expediente à tarde em uma usina da região de Maringá e ainda consegue achar tempo para viajar e dedicar-se a uma intensa produção literária. Ele já tem vários livros publicados e dezenas de títulos no prelo, sendo também um escritor bastante versátil, que passeia por diferentes estilos.
Aos 47 anos, esse renomado jurista que costuma participar de concorridas e prestigiadas conferências em vários Estados fala de seus livros como se estivesse exibindo o exaustivo resultado de uma lavra.
‘‘Não gosto de ser repetitivo, mas de abordar temas que quase nunca são explorados. Quando estou diante de um, tenho a mesma sensação de estar localizando uma pepita e não descanso enquanto não lapidá-la inteiramente’’, comenta.
Foi assim que Galdino sentiu-se depois de conversar com Eduardo Araujo, o realizador do Cowboy Forever Rodeo. Araujo foi informado da qualidade de seus poemas e comentou que gostaria de preparar uma exposição, associando fotografias e temas sobre rodeio.
Galdino teve acesso às fotos e, de imediato, sentiu que poderia ter descoberto um filão. ‘‘Apesar de nunca ter tido afinidade com o rodeio, fiquei bastante emocionado com as fotografias’’, conta.
Em apenas uma semana, produziu 104 poemas. Galdino lembra que utilizava as imagens captadas nas fotografias – cenas de montarias, cowboys fazendo oração, o público vibrando, a ação dos salva-vidas – para extrair suas mensagens. Sua coletânea foi batizada com o sugestivo título de uma das poesias, ‘‘Ternura Selvagem’’.
Ele diz que o rodeio sintetiza a própria vida. E explica: ‘‘Todos somos aqueles cowboys que desafiam diariamente obstáculos, como se estivéssemos sobre a sela de um animal bravio. Há os que se saem vitoriosos e conseguem a glória. Há também os que caem e se sentem derrotados para sempre. Mas existem aqueles que, mesmo caindo muitas vezes, nunca desistem de tentar’’.

O verso peão
CAMINHANTES
Somos passageiros
do trem do tempo:
tudo passa
tão às pressas,
que nada gozamos
no curto segundo
de nossos passos
no espaço.
Melhor seria
se fôssemos
caminhantes.

DISTANCIAMENTO
A lua se distancia da Terra,
a Terra se distancia do Sol,
O sol se distancia das outras estrelas...
E os homens, expandindo-se
no seu universo,
distanciam-se uns dos outros,
quando seria tão simples
abraçarem-se como irmãos.
PLENO
No abismo
de mim
estou
pleno de ti,
na plenitude
de todos.

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