Juntar para ganhar e preservar
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de agosto de 2010
Micaela Orikasa<br>Reportagem local 
Santa Mariana Pelas ruas da pequena Santa Mariana (Norte Pioneiro) um carro de som transmitia o apelo da rádio comunitária: Vamos colaborar com o meio ambiente e com a Apae de Santa Mariana. Não jogue embalagens de salgadinhos e de refrescos em pó. Leve-as até um local de arrecadação.
Enquanto o carro fazia seu trabalho, os jovens membros da Interact Club do programa Rotary Club da cidade também faziam campanha para arrecadar embalagens. Não demorou para a notícia se espalhar. Hoje, seis meses após essa iniciativa, o município de Santa Mariana serve de exemplo pelo trabalho de reciclagem.
O programa Somos o planeta: dê uma mãozinha para salvá-lo, coordenado pela professora Vera Lúcia Martins, funciona como uma troca em benefício ao meio ambiente e à Escola de Educação Especial Recanto da Alegria, mantida pela Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Santa Mariana.
Cada embalagem passa por uma triagem feita pelos próprios alunos. Eles retiram os resíduos e a cada 100 embalagens fazemos pacotinhos e encaminhamos via correio para a TerraCycle do Brasil. Para cada pacotinho, recebemos R$ 2, conta Vera, que já contabilizou 18 mil embalagens.
A TerraCycle, localizada em São Paulo, recicla e reutiliza as embalagens, confeccionando bolsas, estojos, estofamentos para sofá, entre outros. A empresa promove um trabalho ambiental através de programa de coleta de resíduos tanto de brigadas quanto pelas cooperativas de catadores.
Segundo a coordenadora, o pagamento é realizado semestralmente, mas o destino do valor que será arrecadado já está bem definido. Queremos ir a Londrina conhecer o Museu Histórico e ir ao cinema. Eles não conhecem a cidade e estão ansiosos por este passeio, afirma.
Ruas limpas
Ao passear por Santa Mariana percebe-se o comprometimento da comunidade em prol do programa. É praticamente impossível encontrar embalagens de sucos ou salgadinhos jogadas nas ruas, mas é muito fácil encontrá-las aos montes nos locais de arrecadação e nas casas dos alunos e professores.
Na padaria e minimercado de Aparecido Luquini, a divulgação é feita de boca em boca. As pessoas que compram esses produtos já são avisadas para não jogar no lixo. Elas podem trazer aqui mesmo ou levar na escola, diz o proprietário, que por semana, chega a arrecadar até 200 embalagens.
No Colégio Estadual Joaquim Maria Machado de Assis, os alunos também já aprenderam a ajudar. Eles entenderam a importância do programa e depositam as embalagens na caixa da biblioteca. Esse trabalho está dando muito certo e portanto, pegamos esse exemplo da Apae para questionar nossos estudantes sobre as responsabilidades sociais, conta a professora e educadora ambiental, Maria Angélica Mozelli.
Outro exemplo a ser seguido é da diarista Marlene Marques dos Santos, que ficou sabendo do programa através da rádio comunitária e, desde então, colhe todas as embalagens que vê em via pública. Até quando eu viajo, volto com algumas na bolsa. Para mim não custa nada. É até um prazer, pois enquanto ajuda a escola, também estou limpando a cidade, diz.
De acordo com a coordenadora Vera Lúcia, quase 70% da população de Santa Mariana, que é estimada em 13 mil habitantes, está engajada no projeto. Não poderia imaginar que tomaria esta proporção, comemora.
Para Sandra Bavaresco, diretora da Escola Recanto da Alegria, além da educação ambiental, os alunos exercitam a responsabilidade e ainda repassam esse conhecimento para as famílias. É muito importante a colaboração de toda a comunidade para mantermos esse trabalho, ressalta.
Além da comunidade, a escola conta com a colaboração de cortadores de cana, que fazem a coleta na área rural, trabalhadores das rodovias, que recolhem o lixo jogado por motoristas e dos estudantes da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) campus Cornélio Procópio.


