No Paraná há 40 anos, o juiz aposentado, Dario Livino Torres diz que a questão do negro é um processo complexo. ‘‘Ainda somos tratados como se tivéssemos dono. Os negros têm que se impor mais’’, afirma.
De qualquer forma, o juiz analisa que a situação do negro ‘‘está melhorando, mas continua sendo segregado e muitas vezes espezinhado, mas de forma não declarada, o que é pior ainda.’’
O Brasil parece um País de brancos, observa o juiz. Como exemplo, Torres aponta para o setor político do Estado e do País gerido apenas por brancos. ‘‘As oportunidades não são as mesmas’’, assegura. Durante o curso de Direito, feito na Universidade Federal do Paraná, o juiz lembra que entre 150 estudantes era o único negro. ‘‘Imagino que esta situação não esteja muito diferente, hoje. Os negros não têm dinheiro para pagar um cursinho.’’
Durante sua vida profissional, Torres foi juiz nas comarcas de Cândido de Abreu, Pitanga. Faxinal e Cruzeiro D’Oeste. ‘‘Sempre fui muito respeitado, munca percebi qualquer manifestação racista enquanto juiz. É claro que sempre existiram observações como ‘‘nunca vi um juiz negro’’, lembra.
Também casada com uma mulher branca, o juiz tem dois filhos. ‘‘Sempre procurei conscientizá-los de que são negros. Eles têm um círculo grande de amigos e não reclamam de atitudes racistas’’, acentua. A filha está no último ano de Direito e o filho faz o segundo grau.
Além da leitura variada, o juiz tem outra paixão: a música. Toca trombone de vara e já participou de festivais de música barroca. ‘‘Há 17 anos aposentado, voltei a tocar. Mas por enquanto vou devagar.’’

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