Juiz critica política de segurança
Titular da 1ª Vara Criminal há quase cinco anos, o juiz Alberto Luís Marques dos Santos lembra que antes do governo do Estado construir as penitenciárias de Londrina, Maringá e Guarapuava, o Paraná estava há muitos anos sem construir uma cela. No mesmo período, segundo ele, a criminalidade cresceu sem parar.
O juiz critica a política oficial. ''A prioridade para o setor de segurança é verbal, somente no discurso. Na hora de repartir o dinheiro, viaturas e armamentos de menos, e burocracia demais''. Para Santos, há muitas leis, mas não existem estruturas adequadas para combater o crime. ''Não adianta condenar criminosos sem ter lugar para prendê-los'', critica, argumentando que ''essa constatação desmoraliza a Justiça, as leis, a polícia e faz crescer a sensação de pânico da população''.
A população carcerária é dividida em três tipos: o preso provisório, o provisório que aguarda recurso e o condenado em definitivo. Esses condenados deveriam estar cumprindo pena em uma penitenciária, mas nem sempre isso ocorre. No caso de Umuarama, quase metade dos 120 presos aguarda transferência para penitenciárias.
Polêmica A construção de uma penitenciária regional é tema polêmico e divide opiniões. No final da década de 80, quando o índice de criminalidade era bem menor na região, moradores de Umuarama e de vários outros municípios de Entre-Rios se mobilizaram e impediram que o governo do Estado construísse uma penitenciária estadual na região. O tema volta agora à pauta de debates na região e deve provocar diferentes reações.
''Seria uma ferramenta à disposição do aparelho repressivo e uma arma importante para espantar bandidos'', afirma o juiz. Para ele, é normal o fato de muitas pessoas sentirem medo de terem uma penitenciária perto de casa. Mas argumenta que não é uma obra perigosa, que atrai marginais. ''Quanto mais estiver estruturada uma cidade, menos espaço sobra para a ação de criminosos'', define.





