Jovens lutam para manter a tradição
As raízes nordestinas, o gosto pela música e a vontade de tocar forró foram essenciais para o músico e estudante Beto Júnior, 37 anos, ter motivação para realizar um sonho: formar um grupo de forró tradicional. O resultado foi a banda Forró Pé de Pano, que desde 2001 destaca-se por valorizar a cultura típica das festas juninas.
A única concessão é o uso do teclado para substituir o som da sanfona e do violão. A zabumba e o triângulo estão presentes, assim como o repertório baseado em Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Dominguinhos. Mas, a pedido do público, os fãs dos novatos Falamansa e Rastapé também são contemplados. ''Aqui a cultura é mais sertaneja. Fui em festas juninas que não tinham grupos de forró. Estamos ocupando esse espaço'', destaca o vocalista e violonista Beto Júnior, que morou oito anos em Natal (RN).
Os instrumentos tradicionais não faltam. Rinaldo, 33, toca a zabumba e Rodrigo, 27, o triângulo. O tecladista Wladimir, 25, completa o grupo. Todos mantêm trabalhos paralelos na música. Beto Júnior e Wladimir, inclusive, são alunos do curso de música da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''O forró universitário tem muitos elementos eletrônicos. É um forró mais estilizado'', compara o tecladista, natural de Fortaleza (CE).
Para Beto Júnior, o espaço que pode ser ocupado pelo forró tradicional em Londrina ainda é grande. ''Já estive em festa junina em que tocava rock. Em muitas festas há uma mistura grande de ritmos, principalmente o sertanejo. A única festa onde havia o forró tradicional era a da UEL, que também não é mais realizada'', lamenta.
Os músicos também queixam-se do calendário, já que a procura por grupos de forró é intensa no período dos festejos de Santo Antônio, São João e São Pedro. Por outro lado, em outras épocas do ano, o número de shows diminui. E quando há festas, são praticamente descaracterizadas, com predomínio da moda sertaneja. ''Por fim, muita gente acaba achando que música sertaneja é forró,'' pontua Wladimir. (F.R.F.)





