De Curitiba
Ajudar os outros, mesmo que sem receber nada em troca. Pensando assim, muitos jovens trabalham como voluntários em hospitais e instituições de Curitiba. Eles são maioria entre os cadastrados na Ação Voluntária, um programa da Comunidade Solidária que envolve dez capitais brasileiras.
Em Curitiba, a Ação Solidária já atraiu a atenção de cerca de 2 mil pessoas. Destas, 1.131 se cadastraram e 774 já se tornaram voluntárias. Ser um voluntário não é tão simples e requer um compromisso com os necessitados. Depois do cadastro, os candidatos acompanham duas horas de palestra para entender o quanto é importante o comprometimento e a continuidade do trabalho.
Qualquer um pode se habilitar para contar histórias para crianças carentes, servir refeições em hospitais ou mesmo prestar serviços mais específicos como assistência médica, jurídica, psicológica a quem não pode pagar. A Ação Voluntária faz a ponte entre os interessados e as entidades. ‘‘As pessoas fazem a diferença dando o melhor de seu tempo, o tempo de folga. Mas a idéia não é suprir as tarefas do Estado e sim complementar, não esperar tudo do governo’’, explica a presidente da Ação Voluntária no Paraná, Mariângela Budant Hortmann. As instituições também tem que estar preparadas para receber a ajuda dos voluntários por isso a Ação Voluntária tem curso de formação de coordenadores.
Os voluntários descobrem logo que começam a trabalhar o quanto é gratificante dar auxílio a quem necessita. Há quem priorize trabalhar como voluntário do que exercer a própria profissão. É o caso da comerciante e voluntária do Hospital Evangélico, Denise Aparecida Gomes, 25 anos, que está desempregada há três anos e não pretende procurar um outro emprego tão cedo.
Denise trabalha como voluntária há um ano e meio, durante todo o dia, ganha apenas vale-transporte e refeições, que são feitas no próprio hospital. Apesar da dificuldade financeira, ela afirma que o trabalho que realiza é tão recompensador que ‘‘não há preço que pague’’, diz. ‘‘Transmitir paz, conversar e contar histórias às crianças e pessoas doentes, que precisam de carinho e atenção é tão gratificante que faz bem para o espírito’’, comenta. Para Denise, trabalhar como voluntária foi a melhor experiência de sua vida. ‘‘Vi como alguns pacientes sofrem ao se recuperar de doenças e aprendi a valorizar a minha vida’’, completa.
O analista de sistemas Sérgio Ricardo da Silva, 28 anos, também está desempregado e viu no trabalho voluntário uma opção para não ficar ocioso. Silva explica que é responsável pelas refeições e banhos dos pacientes, além de conduzí-los para exames dentro do próprio hospital. Ele também trabalha no período integral e diz que sente-se útil ajudando os outros. Silva foi encaminhado para o Grupo de Voluntários do Evangélico através do Centro de Ação Voluntária.
Para entrar em contato com a Ação Voluntária e saber como funciona o trabalho, os interessados podem ligar para (0xx41) 322-8076 ou 324-6015.Em Curitiba, a Ação Solidária já atraiu centenas de pessoas que querem trabalhar em hospitais, bibliotecas, mesmo sem receber
Mauro FrassonSEM PARARDesempregado, Sérgio da Silva é responsável pelas refeições e banhos dos pacientes do Hospital EvangélicoRELIGIÃOEric Pires trabalha no Cindacta, mas ainda acha tempo para ajudar numa creche e na Biblioteca Pública

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