A principal característica de Antônio Olinto, ser uma cidade rural, com pequenas propriedades que produzem feijão, milho, morango e kiwi, pode estar por um fio. Segundo os moradores, é cada vez mais difícil para os jovens seguir a profissão dos pais e continuar na agricultura.
Vanda Colaço, moradora de Butiá, uma das regiões mais retiradas do município, relata essa dificuldade. ''As empresas de pínus têm comprado as pequenas propriedades e grandes produtoras de grãos fazem tudo a base de máquinas, aqui não há mais emprego'', afirmou.
''Meus filhos, que viviam da agricultura, tiveram que ir para Santa Catarina trabalhar. Aqui ficam só as mulheres e crianças. É preciso muito dinheiro para tirar o sustento da roça, um dinheiro que o pequeno agricultor não tem'', lamenta.
A falta de emprego faz a comerciante Delair Stigar ver a filha de 21 anos fazer planos de mudar para Curitiba, após terminar a faculdade na cidade vizinha. ''Ela se forma em Educação Física ano que vem. Tem que procurar o que é melhor para ela, fazer o quê'', lastima.
Motivo que também aperta o coração de Salete Maier Gritten. Sua única filha, de 14 anos, também pretende deixar a cidade. ''Eu quero estudar administração de empresas e crescer na vida. Isso eu sei que só vou conseguir na Capital'', diz resoluta a adolescente Mainara Maier Gritten.
É o oposto do que deseja a prima dela da mesma idade, Amanda Gritter, que mora em Curitiba e passa as férias na região. ''Eu preferia morar aqui, que é mais tranquilo e dá para ir em festas à noite'', comemora.
Para Nelson da Fonseca, agricultor da comunidade Água Amarela de Cima, o que mais chateia os jovens é a falta de lazer. ''Queríamos construir um campo de futebol aqui, mas há anos só ouvimos promessas de políticos. A rapaziada sai da roça e não tem nada para fazer. Final de semana não há divertimento nenhum e o pessoal desanima. Aqui é só trabalho, trabalho e trabalho'', conta.
Na região, até a televisão só funciona com antena parabólica. O agricultor Joselei de Oliveira, 20 anos, confirma a falta de lazer. ''Depois de trabalho duro, a única diversão que resta aqui é pescar, ou então, ir para o bar.''
A roça é melhor
Com pouco mais de 100 anos, Euclides Colaço ainda faz questão de cuidar do quintal e manter sua horta produtiva. Lúcido, relembra como era a região na sua infância. ''Não tinha estrada, era tudo um sertão só. Só haviam caminhos e um burro ia atrás do outro carregando as coisas'', conta ele que nasceu no sítio onde mora até hoje.
Sobre suas experiências com a agricultura, Colaço se diz satisfeito. ''Tive um comércio por dez anos, mas só perdi dinheiro. A roça é muito melhor'', diz. ''Até hoje minha terra produz. Plantamos verduras, banana e pêssego'', conta orgulhoso.
Apenas para os serviços mais pesados conta com a ajuda da esposa, Alzira Nogueira Colaço, 41 anos mais nova.''Tenho que fazer de tudo, não tem quem faça. Os filhos já foram embora, ficou só eu e a mulher'', comenta com certa tristeza Euclides.
Até a casa, construída 50 anos atrás e que passa agora por reformas, foi desenhada por ele, que faz questão de supervisionar os trabalhos. (K.L.M)

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