Cristiane Maria de Souza, 21 anos, é uma jovem determinada, cheia de ideais e bem articulada com as palavras. Mas, para ela, a vontade de crescer profissionalmente tem esbarrado na falta de oportunidades. Assim como Cristiane, outros milhares de jovens curitibanos, com idade entre 18 e 24 anos, sonham em vencer na vida, mas, para isso, além do esforço próprio, esperam ajuda do poder público.
A carência de políticas públicas, que atendam essa faixa etária, vem sendo tema de debate entre os jovens de Curitiba que participam do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem). As discussões resultaram em um documento, que reúne 48 propostas nas áreas de trabalho, cidadania, saúde, prevenção e comunicação, cultura e lazer, voltadas e aprovadas pelos cerca de 450 jovens participantes do 1º Fórum do ProJovem, no último final de semana. A carta da juventude de Curitiba deverá ser entregue ao prefeito Beto Richa (PSDB) e ao presidente da Câmara Municipal, João Cláudio Derosso (PSDB), nas próximas semanas.
Cristiane, como uma das delegadas do Fórum e desempregada, defendeu a criação de uma agência específica para encaminhamento dos jovens ao primeiro emprego, pois sente na pele a dificuldade de garantir uma colocação. Os três meses de carteira assinada como auxiliar de escritório não dão muito peso ao seu currículo na hora de buscar uma vaga no mercado de trabalho. Mesmo tendo se qualificado em telemática, por meio do ProJovem, o tão sonhado emprego ainda lhe parece distante.
De acordo com a coordenadora do ProJovem, em Curitiba, Luciane Vanessa Fagundes, a parceria do município com o ''Sistema S'' (Sesc, Senai, Senac e outras entidades) para qualificação profissional e encaminhamento ao mercado de trabalho foi uma das propostas elencadas no documento elaborado pelos jovens. Eles sugeriram, também, a criação de um centro de excelência em esportes e de um centro de reabilitação para dependentes químicos e de apoio aos familiares.
Luciane destacou entre as propostas a criação da secretaria e conselho municipais da Juventude. ''Eles precisam de um espaço para serem ouvidos para que as políticas públicas sejam elaboradas por eles e para eles'', acrescentou.
José Rodrigo Alves, 25 anos, é um dos exemplos de que as oportunidades podem modificar a vida dos jovens. Ele conta que, antes de entrar no ProJovem, vivia pelas ruas, usava drogas e até chegou a ficar preso por um ano e três meses. Agora, longe das ruas e livre da dependência, tem planos de continuar estudando e conseguir uma colocação profissional.
O ProJovem é um programa do governo federal realizado em parceria com os municípios, e tem por objetivo aumentar o nível de escolaridade e a inserção de jovens no mercado de trabalho. Em Curitiba, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, é responsável pela programação escolar e o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) pelos cursos de qualificação profissional e monitoramento das atividades de responsabilidade social.
O programa atende jovens de 18 a 24 anos, e além do avanço escolar e a qualificação profissional, fornece auxílio-financeiro de R$ 100,00 por mês aos alunos. Mais informações sobre os critérios do programa podem ser obtidas no site www.projovem.gov.br.

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