Jovem troca lavoura pela arte
O cultivo de café, maracujá orgânico e outras culturas em uma pequena propriedade em Nova Tebas (90 km a sudeste de Campo Mourão) poderia ser o destino de Adalberto Mairik, 29 anos. A combinação entre curiosidade e oportunidade, porém, mudou o presente e pode modificar ainda mais o futuro do filho de agricultores. Hoje, ele respira arte. E o mais importante: consegue garantir o sustento com as esculturas que produz.
Mairik é funcionário da Fundação Educere. E representa um belo exemplo de como um sonho de adolescente pode gerar resultados. No caso, sonhos de dois jovens. O primeiro é o criador do Ateliê de Escultura Clássica Educere, Ater Cristófoli. E o próprio Mairik, que começou a mudar o seu destino ao conciliar a rotina da produção agrícola com a confecção de peças em madeira.
Por curiosidade e ''sem técnica alguma'', como faz questão de salientar, o filho de agricultores passou a usar o tempo livre para esculpir. Optou pelo estilo clássico e por formas humanas. A matrícula em um curso de móveis entalhados foi o passaporte para a mudança de atividade e de vida. Foi quando conheceu a Fundação Educere e as aulas livres de arte, idealizadas pelo empresário Cristófoli.
A inspiração, explica ele, veio da paixão por museus e pela arte. E pela consciência de que os grandes artistas, como Mozart e Bethoveen, tiveram apoio no início da carreira. ''Só queria ter um pouco do que vejo na Europa, como esculturas e museus para todo lado'', revela.
O material usado por Adalberto Mairik para a produção das peças mudou. Em vez de madeira, blocos de mármore e arenito. E o aprendizado foi feito de forma autodidata, por meio de pesquisas na internet e de livros importados da Europa. O aprimoramento da técnica resultou em novas oportunidades. Mairik e um colega foram contratados pela Educere e passarão em breve a ensinar a arte para outros jovens.
O salário, no entanto, não é a única fonte de renda. Os bustos e painéis produzidos pela dupla e por alunos são comercializados. E não falta trabalho, que chega por meio de encomendas personalizadas. Um painel de placas de arenito, por exemplo, custa de R$ 180 a R$ 300. O preço de um busto varia de acordo com o material: o de fibra varia entre R$ 800 e R$ 1 mil e o de mármore, de R$ 3 mil a R$ 4 mil.
Por outro lado, a confecção das peças exige tempo. Enquanto um painel leva cerca de 15 dias para ficar pronto, um busto pode consumir de um a três meses de trabalho. Uma atividade minuciosa, que transformou-se na profissão do jovem. ''Eu sonhava que pudesse viver disso, mas não em tão pouco tempo. Acho que me superei. Agora meus planos são conhecer a Itália para fazer um curso de arte'', comenta. Outra meta é fazer curso superior de Belas Artes.
A vontade de estudar é também uma forma de aprimorar uma técnica que custou para ser conquistada. No início do curso, a dificuldade começava na escolha da ferramenta para cada tipo de material. Hoje, os 12 alunos têm uma orientação mais adequada. E a expectativa por resultados, também é maior. Para Mairik, pelo menos seis poderão ser aproveitados como instrutores para novos cursos do Educere. (F.R.F.)





