Em outubro de 90, o jornal noticiava: ‘‘Campanha para restaurar antiga Rodoviária’’. A idéia era sensibilizar a comunidade para que ela desse respaldo a um pedido de verba ao governo do Estado. Ainda em novembro de 91, a Folha batia na mesma tecla: ‘‘Feio, sujo e abandonado’’, referindo-se ao prédio que, sem cuidados, deteriorava-se. A Viação Garcia assumiu o projeto.
O Museu de Arte de Londrina foi inaugurado em maio de 1993, conservando as características originais da velha estação. Em 1998, o Museu passou por uma reestruturação e reaparelhamento. Até então, o prédio havia sido adaptado para abrigar o Museu de Arte, mas ainda não oferecia plenas condições para a preservação das obras. Uma sociedade de amigos - a Samalon - angoriou recursos. A Folha estava presente nesta nova campanha para aperfeiçoar o espaço que, em março passado, foi reinaugurado. A Folha noticiou assim: ‘‘Vitória da comunidade’’.
A história foi meio parecida com o antigo prédio da estação ferroviária de Londrina, hoje endereço do Museu Histórico Pe. Carlos Weiss que, até dezembro de 86 estava instalado em condições precárias em um porão do colégio Hugo Simas. Foram oito anos de arrastada batalha, pela instalação do museu na velha ferroviária - prédio em estilo normando e um dos mais belos valores arquitetônicos de Londrina. A instalação da estrada de ferro foi um dos mais importantes fatores de integração das novas terras do Norte do Paraná, na década de 30. Quando os trilhos foram desativados, o apelo foi unânime: a ferroviária era espaço ideal para abrigar o museu histórico. Séries de reportagens discutiram a destinação do prédio, repercutiram as opiniões da comunidade, expuseram as propostas de técnicos. E pressionaram as autoridades para tornar a ferroviária um prédio histórico, o que se concretizou no dia 10 de dezembro de 1986.
A coleção de temas polêmicos que tiveram a participação do jornal inclui, também, o Bosque, principal área verde da cidade, urbanizada em 1953. Na gestão Dalton Paranaguá, o Bosque passou a abrigar o terminal de transporte coletivo. A população não gostou: para abrir o terminal de ônibus, a prefeitura alargou a Rua Piaui e derrubou árvores centenárias. A Folha gritou contra o que considerou um crime ecológico. Em 1988, o terminal foi transferido para um novo local, na Avenida Leste-Oeste, e o Bosque virou manchete de jornal de novo. Acabou transformado em ponto de comércio de carros usados - a Pedra. A população criticou e a Folha noticiou, de novo. A prefeitura aceitou os protestos e transferiu a ‘‘boca’’. A boa notícia veio em 91: o Bosque seria uma área de lazer, antiga reivindicação dos moradores do centro da cidade. Hoje abriga o Zerinho, espaço para caminhadas no ‘‘coração da cidade’’.
Outra luta foi pela urbanização do Parque Arthur Thomas, um pedaço de área verde incrustrada quase no centro da cidade. A briga da comunidade ganhou prontamente o apoio do jornal. A área, de 36 alqueires, havia sido destinada à Prefeitura pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná em 1975 justamente para abrigar um parque municipal, que foi finalmente entregue à população em janeiro de 1988.
Recentemente, a Folha espelhou o sentimento da comunidade londrinense posicionando-se contra a destinação do aterro do Lago Igapó-2 para uma construtora instalar ali um shopping de lazer. Resultado: o prefeito Antonio Belinati anunciou, em outubro, que a área não vai mais ser destinada a este objetivo, passando a abrigar um centro ecológico público. E uma nova ‘‘briga’’ já está viva nas páginas do jornal: agora, por um novo aeroporto que atenda às necessidades da cidade. (R.M.)

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