Comecei a trabalhar na Folha em 1º de julho de 1966, época em que a FL fazia um verdadeiro ‘‘descobrimento’’ do Paraná. Eu já tinha experiência em jornal (‘‘Última Hora’’, sucursal de Londrina e Agência Folhas, como correspondente). Fui repórter-redator (essa história de apenas repórter ou apenas redator só existe no papel; qual jornal contrataria um sujeito que não soubesse escrever?), editor regional, editor de Agropecuária (hoje, Agribusiness) e sou há cinco anos editor da Folha Rural.
Fui contratado pelo Walmor Maccarini, diretor de Redação. Coincidentemente, entrei na vaga de Délio César, que me arranjara o primeiro emprego em jornal, na ‘‘Última Hora’’. Délio saíra da Folha para fazer, com o vereador e jornalista Rafael Lamastra, seu próprio jornal, ‘‘O Diário de Londrina’’. Délio e Lamastra haviam me convidado para trabalhar com eles no ‘‘Diário’’, mas apareceu a oportunidade na Folha e vim pra cá.Josoé de CarvalhoProfessorJota: com dedicação, seriedade e competência, ensinando gerações
Aqui estavam, além de Walmor, os jornalistas Rui Brito, Pedro Vergara Correia, Antônio Claret de Rezende, Isnard Cordeiro, Oswaldo Militão, José Augusto Viegas, Ângelo Gaiotto, Pedro Scucuglia e Ermiro Barbosa Lemes. Não trabalhei com os famosos irmãos Rímoli - Nilson e João. Eles ‘‘formaram’’ bons jornalistas, mas considero Walmor o responsável pela adoção de um estilo mais enxuto e direto na Redação da Folha. Provavelmente porque ele era correspondente de ‘‘O Estado de S. Paulo’’, um jornal de texto moderno na época.
O fotógrafo principal era Wagno Barra Rosa, auxiliado por um primo, Luís, se não me engano. Logo Daniel Martinon trabalharia também na FL, onde foi chefe de fotografia. No Departamento Fotográfico havia também o Darci Félix, laboratorista e fotógrafo. Darci vivia sorrindo; por isso tinha o apelido de Risadinha. Falava-se muito em alguns personagens que já haviam trabalhado no jornal: Wilson Silva, Carlos Silva, Arceno Athas, Abrahão Andery, Adauto Patriota e outros de quem não me lembro. Wilson, Carlos e Arceno voltaram a trabalhar na Folha.
O Paraná estava sendo ‘‘descoberto’’ pela Folha. Pedro Vergara, depois Estelio Feldmann (ou os dois ao mesmo tempo) costumavam viajar à procura de notícias. Desde o começo passei a ‘‘correr o trecho’’. Conheci todas as regiões do Estado e sabia os nomes de todos os municípios, que não chegavam a 200 - hoje são 399.
Como tinha muitos contatos com questões administrativas, acabei fazendo um cursinho de administração municipal. Foi ótimo. Facilitaria muito meu trabalho e eu não seria engabelado nessa área. Mais tarde acabei fazendo também um cursinho de comercialização de café e soja. Jornalista nunca pára de se atualizar. Se parar, é atropelado pelas inovações em todas as áreas.
Bons jornalistas nasceram no então Departamento Regional. Uma vez, precisando dobrar minha equipe em Londrina, convidei meu amigo Widson Schwartz, radialista. Ele relutou, alegando que não sabia nada de jornal, mas eu insisti; Widson acabou aceitando. Não foi difícil transformar o compadre Schwartz em jornalista. Rapidinho chegou à categoria de ‘‘ótimo jornalista’’; tomou gosto por descobrir fatos e escrever a respeito. É um dos ‘‘descobridores’’ do Paraná, indo aonde outro jornalista não tinha ido.

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