Quando diz que considera a Folha de Londrina um patrimônio público de Londrina, do Paraná e do Brasil, João Milanez apenas dá força à idéia central que norteou sua atividade desde o começo. Sempre sentiu que o jornal não era um fim em si mesmo mas precisava ser membro ativo da coletividade, participante mesmo de suas lutas, integrado a elas, ao lado das reivindicações e reclamos.
Por isto é que ele diz, com satisfação e até como uma constatação da realidade, que participou de todas as grandes lutas de Londrina e do Norte do Paraná, não só dando o apoio das notícias e dos comentários que eram publicados na Folha de Londrina, mas também se empenhando pessoalmente, participando de todas as caravanas de prefeitos e governadores.
Na medida em que foi se tornando ele próprio, graças ao trabalho, à determinação e ao esforço, uma figura de realce da sociedade local e estadual, sua presença era quase imperativa. Lutou pela implantação dos cursos superiores em Londrina, pela criação da Universidade, pelo Iapar, ajudou a implantar a TV Coroados, com o maior despreendimento.
Atento e curioso, Milanez ouvia a aprendia sempre. Ouviu o Rei do Café Geremia Lunardelli falar que o Brasil precisava mais de ferrovias que de rodovias, conviveu com os maiores cafeicultores, os maiores criadores de gado. Como já foi citado, jamais quis, não pretendia ou pretendeu ser fazendeiro ou produtor. Quando, depois de Moisés Lupion o governador Adolfo de Oliveira Franco pretendeu dar-lhe terras na Região Sudoeste do Paraná, não aceitou. A localidade, lembra, era chamada Laranjeiras. ‘‘E eu disse que não estava interessado em plantar laranja’’, recorda.Arquivo FolhaGraúdo 2Nos EUA, Milanez com o vice-presidente Hubert Humphrey, nos anos 60
Aplicava o que ganhava, sempre, na Folha. Pouco pensava em si. Até conta, com humor, que foi o inventor da permuta: fazia permutas com restaurantes, hotéis, empresas de aviação. (Permuta, para quem não sabe, é o anúncio feito no jornal em troca de algum serviço ou coisa que o anunciante oferece). Durante muitos anos, nem carro teve, embora a Folha tivesse muitos. Se precisava usar algum, sempre que não atrapalhasse o serviço, usava o do jornal. Até por isto, também não se preocupou, durante anos, em conseguir uma habilitação para dirigir. Jamais teve problemas: se algum guarda o parava na estrada, entregava o documento, um exemplar da Folha. E ia embora.
Depois que a Folha de Londrina se consolidou, quando formou uma equipe capaz de levar o empreendimento em frente, João Milanez passou a atuar como uma espécie de embaixador itinerante da Folha. Diz que deve ter ido ao Aeroporto de Londrina pelo menos 10 mil vezes nestes anos todos, a fim de receber visitantes. ‘‘Durante uma época, nós eramos três, sempre; eu, o prefeito e o bispo d. Geraldo Fernandes’’.Fotos Arquivo FolhaGraúdo 1Milanez com Assis Chateaubriand (dir.), em frente ao Cine Ouro Verde, em 1959
Estelio Feldman

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