Jornal do mato se moderniza e vira porta-voz estadual
Com a primeira off set, a impressão melhorou, o jornal ganhou em qualidade. Com isto, também, foi possível avançar a obra de levar o jornal a todo o Paraná, ampliando de vez sua atuação. O jornal municipalista foi se convertendo aos poucos no grande jornal de todos os municípios, porta-voz e arauto das necessidades dos municípios, partícipe das grandes lutas das coletividades, fossem elas de interesse local ou estadual. A evolução levou a Folha a atingir praticamente todos os municípios e também distritos e patrimônios, cobrindo o Estado.
A Folha sempre teve percalços, dificuldades. Na verdade, nunca teve facilidades, privilégios, vantagens. Tudo foi conquistado com coragem e muito trabalho. Continua a ser um milagre que se renova todos os dias. E, seguramente, vai continuar a enfrentar, a cada dia, problemas. Faz parte de sua própria história, diz Milanez, destacando que que a Folha tem status nacional. Fazer jornal em uma grande capital é mais fácil do que fazer no interior. Eu digo que a Folha sempre teve que subir a ladeira...
Alguns visitantes se mostravam encantados com a Folha. Lembro que o venezuelano Carlos Andres Peres, que viria a se tornar presidente, ficou estarrecido com o jornal e augurou que teria um grande futuro, recorda.
Quando Assis Chateaubriand, fundador dos Diários e Emissoras Associados, esteve em Londrina, em 1959, anunciando que iria montar uma emissora de TV na cidade, Milanez perguntou se ele não queria comprar a Folha. Chatô afirmou que não tinha capacidade para fazer um jornal como este. Octávio Frias, da Folha de S.Paulo esteve aqui nos anos 60 e disse: A Folha é de longe um dos melhores jornais do Brasil.
Já Dirceu Nascimento, da revista Manchete, afirmou em uma visita que a Folha é o maior jornal do interior do País. Outro que se encantou foi o jornalista David Nasser, de O Cruzeiro que veio para cá a fim de cobrir invasões de terras e produziu várias matérias sobre a Folha.
Milanez coleciona estas opiniões - são pessoas do ramo e que não teriam motivo para fazer gentilezas. Ele não esquece, também, que Jânio Quadros, em campanha para a presidência da República, praticamente eleito - ele tinha sido eleito deputado federal pelo Paraná - reuniu-se com ele e com Nilson Rímoli na casa do ex-prefeito Milton Meneses. Na ocasião, Jânio afirmou que, logo ao assumir iria cassar a concessão da TV Coroados, dada aos Associados, porque entendia que quem deveria fazer TV aqui era a Folha.
Milanez não quis, ponderando que uma TV precisava, ainda mais naquele tempo, pertencer a uma rede nacional. Jânio foi eleito, assumiu, cassou a concessão mas, como ninguém foi reivindicá-la acabou restaurando-a. Milanez ajudou a instalar a TV e, inclusive, durante uma viagem a Nova York, foi visitar Chateaubriand já doente - tranquilo porque teve, como sempre, uma atuação firme no episódio.





