Naquele ambiente de euforia no Norte do Paraná nasceu a Folha que, assim como a região, teve um crescimento rápido. Quando chegou a Londrina, Milanez trabalhou um pouco como vendedor de títulos de capitalização e no ano seguinte, junto com Correia Neto e Fulgêncio Ferreira Neves, fundou o jornal. A Folha circulou inicialmente com 12 páginas, tamanho padrão, uma vez por semana. Era um jornal grande para Londrina, ainda uma cidadezinha de 17 mil habitantes. A recém-nascida Folha era impressa na oficina do ‘‘Paraná Jornal’’ (Rua Professor João Cândido, esquina com Alagoas, ao lado da Marmoraria Brasil, de Court e Lotz, mais tarde Marmoraria Roma, de Mário Romagnolli). Não possuía, portanto, oficina própria, e alugava instalações para Redação e Administração na Rua Benjamin Constant, 1.177 e 1.182.
Apenas três números foram impressos no ‘‘Paraná Jornal’’. Depois a impressão foi entregue à oficina do ‘‘Paraná Norte’’, na Rua Pernambuco, entre Benjamin Constant e Sergipe, para onde Milanez levava nas costas as páginas de 35 kg cada, montadas no novo endereço da Folha, na Rua Minas Gerais, entre Sergipe e Benjamin Constant. Para essa nova fase do jornal ele precisou comprar às pressas, em São Paulo, os tipos de impressão (as páginas eram montadas à mão, letra por letra). E, para compor as páginas, foi contratado o primeiro gráfico da Folha, Lorenzo Orsi, o Pítia, que seria dois anos depois o primeiro impressor, quando foi comprada uma máquina que imprimia uma página por vez.
Como o jornal tirava até 26 páginas, Pítia tinha que fazer, à mão, nesses casos, 130.000 impressões. Quando a Folha nasceu, as notícias eram escritas na sexta-feira à tarde e à noite. O jornal era distribuído sábado e domingo. O diretor-redator era A.C. Silva, o Correia Neto, que escrevia notícias e o editorial. O primeiro número foi para as bancas às 11 horas, horário mantido durante tempos. A Folha era um órgão trabalhista, porque Getúlio Vargas tinha grande conceito entre os colonizadores do Norte do Paraná. Tanto que, na primeira página da edição número 1, estava um clichê de Getúlio e, no canto direito superior, Correia Neto falava de trabalhismo, no editorial de apresentação do jornal:
‘‘Escolhemos o dia de hoje para lançarmos à publicidade o jornal dos trabalhistas do Norte do Paraná. Batizado com o nome de Folha de Londrina, este vespertino surge com a determinação de vencer, lutando pelos ideais renovadores que animam, em todos os instantes, os brasileiros que de há muito se integraram nas fileiras do trabalhismo nacional, seguindo as diretrizes luminosas de Getúlio Vargas...’’
‘‘O jornal era trabalhista, porque aqui tinha muito getulista, embora Getúlio não estivesse no poder’’, explica Milanez. Ele desempenhava, na empresa, o papel de gerente geral, mas na prática dedicava-se mais a vender anúncios e assinaturas. Somente no primeiro ano ele vendeu 4.700 assinaturas, na região entre Santo Antônio da Platina e Paranavaí. A assinatura custava CR$ 100,00 por ano.
Desde sua fundação a Folha integrou a vida comunitária, trabalhando pelas causas norte-paranaenses. Participou de todos os acontecimentos em Londrina, como as construções da Catedral e do Fórum; de ações de interesse regional e estadual - criação do Arcebispado, Universidade, Iapar; construção e pavimentação de estradas. Trabalhando pelo asfaltamento da Rodovia do Café, contribuiu para a integração do Norte do Estado à sua capital. Defendeu também maior integração do Norte e demais regiões paranaenses, dando os primeiros passos no sentido de sua própria estadualização, agora completada com a Folha do Paraná.
Bento Munhoz da Rocha, governador, dizia que a Folha era o ‘‘termômetro do Norte do Paranᒒ. Ele afirmava que, lendo a Folha, ‘‘não precisava falar com ninguém sobre o que acontecia aqui’’. Milanez conta que numa de suas estadas em Londrina, Bento - que iria em seguida a Apucarana - retardou a partida. A edição do jornal atrasara e o governador não quis viajar antes de ler a Folha.(J.O.)

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