Mega-Sena, supersena, lotomania, videopôquer, baralho, trinca... bingo. São muitas as opções para os apostadores apaixonados ou viciados em jogos de azar. Eles desafiam o perigo já que jogos de azar são considerados contravenção em nome da satisfação de jogar. Mas o que leva um indivíduo a buscar tanto o jogo, a ponto de não controlar seu impulso de jogar? Vício? Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma doença reconhecida desde 1992 e que atinge 1% a 4% da população mundial.
A explicação para o reconhecimento do jogo como doença, que passou a ser definido como jogo patológico, se caracteriza pela incapacidade da pessoa em controlar o hábito de jogar, independente de todos os inconvenientes que isso possa proporcionar, como problemas financeiros, familiares, profissionais, entre outros.
A OMS confirma que passar algumas horas entretido com algum tipo de jogo pode ser considerado lazer, mas, frequentemente, se torna um risco para pessoas que transformam esta atividade numa rotina e não se dão conta de que precisam realizá-la sempre para se sentirem bem.
Segundo os especialistas, o problema vai surgindo de forma lenta. Os jogos começam por diversão e aos poucos vão ocupando espaço na vida do jogador, que perde o controle e adoece. São os casos de Marcela e Fabiana, que se viciaram em jogos e perderam além de dinheiro e do emprego, a dignidade, a auto-estima e a vontade de viver. Somente com ajuda profissional elas conseguiram se livrar do vício.
O psiquiatra de Londrina, Luís Paulo Garcia, explica que ''ocorre um transtorno comportamental ligado aos impulsos, que busca a compensação''. O problema, segundo ele, está ligado ao stress, à angústia e à ansiedade. ''O indivíduo passa a ter uma atitude repetitiva e fora do controle emocional''.
A doença se assemelha ao Transtorno Compulsivo Obsessivo (TOC), quando a pessoa necessita sempre repetir algum gesto para se sentir bem. ''É uma compulsão por uma coisa específica, neste caso, o jogo''.
Quimicamente, a compulsão pelo jogo acontece porque dentro do cérebro existe a Via Dopaminérgica Mesolímbica, que é o centro do prazer. ''Quando fazemos alguma atividade prazerosa, essa via é ativada e a pessoa sente prazer, liberando dopamina. Os receptores dopaminérgicos ficam ávidos de ter novamente a experiência e repetir a grande descarga de prazer, gerando dependência''.
O psiquiatra afirma que o jogador chega a se conscientizar do problema, mas explica que existe uma dissociação do lado racional do emocional. ''Quando racionaliza, o indivíduo contabiliza os custos, os prejuízos e as perdas. Mas quando vive a emoção, o prazer, o lado emocional não consegue controlar. E é esse lado emocional que fala mais alto, mesmo o indivíduo tendo decidido racionalmente tomar outra atitude, por exemplo, não jogar mais''.
O prejuízo, segundo Garcia, recai quase sempre sobre a família e sobre o trabalho. ''São as pessoas mais próximas que identificam o problema, percebendo o comportamento da pessoa doente, que na maioria das vezes não admite a doença''.

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