O caso dos Doutores da Alegria com a internet é antigo. O site oficial da trupe (www.doutoresdaalegria.org.br) tem mais de 10 anos. Lá é possível encontrar, entre muitas outras informações, estudos que buscam quantificar o resultado da ação dos palhaços na recuperação de pacientes, bem como toda a história dos doutores e fotos dos besteirologistas. Além disso, os interessados podem comprar produtos dos doutores e fazer doações. ''Fomos apontados por um estudo da FGV como a primeira ONG no Brasil a captar sócios-mantenedores através da internet'', orgulha-se o palhaço.
Após um início difícil, em apenas quatro anos de existência (a fundação começou em setembro de 1991), a trupe de médicos-palhaços conseguiu um primeiro grande patrocinador. De lá para cá muita coisa mudou. Hoje os Doutores contam com uma receita superior a R$ 5 milhões. Apenas no ano passado os ''besteirologistas'' fizeram mais de 78 mil visitas.
Apesar de todos os avanços - ou talvez em virtude deles - Nogueira sonha em transformar a atividade que inaugurou no País em uma profissão no futuro. Especialista na arte de brincar, Wellington, que se diz apaixonado por tecnologia e classifica traquitanas como iPod e smartphones de ''brinquedos de adultos'', faz uma ressalva ao ser questionado sobre o seu ponto de vista sobre as brincadeiras infantis, cada vez mais substituídas por recursos tecnológicos, como o videogame e o computador. ''Entendo que o importante é não terceirizar nossos relacionamentos, principalmente com as crianças, para a tecnologia. O certo é usá-la como uma ferramenta a mais para agregar na brincadeira'', ensina o doutor, que é pai de um menino de 9 anos.
Os doutores pensam ainda em criar conteúdo específico para celulares, que podem variar de vídeos até joguinhos. O problema, reflete Nogueira, ''é que as empresas nos procuram com uma idéia muito superficial dos Doutores, e nós queremos algo mais aprofundado. Entendo apenas que precisamos criar um jogo em que seja possível a criança aprender alguma lição - algo que vá além do jogo puro e simples.''
Um jeito diferente de ver o mundo. A frase pode ser clichê, mas sintetiza a mensagem que os Doutores da Alegria querem passar através de todas as suas iniciativas - seja na internet ou fora dela. ''Acho que o grande desafio da gente com a rede e a tecnologia é tentar passar para as pessoas nossa forma de ver o mundo através dessas outras ferramentas. Além, é claro... de fazer as pessoas rirem de si mesmas'', sorri Nogueira. (B.G./A.E.)

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