Japoneses se concentraram em Lorena
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Benê Bianchi Londrina 
Josoé de CarvalhoTakae Miyasake foi o segundo morador da colônia Lorena: além do café, ajudou a semear o budismo na região Além de Neu Dantzig e Bratislava, outra importante comunidade de imigrantes se formou ao redor de Cambé: Lorena, a colônia dos japoneses. Localizada a 15 quilômetros ao sul, a colônia recebeu os japoneses que chegavam de Cafelândia (SP), abalada pela crise do café de 1929/30.
A colônia começou a se formar em 1932, quando um grupo de japoneses resolveu conhecer as terras tão propaladas pela Companhia de Terras, numa caravana organizada pelo agenciador Hikoma Udihara. O grupo viu e gostou. Os visitantes adquiriram 200 alqueires de terras, onde hoje se localiza Lorena. Koji Yoshikawa foi o primeiro a se instalar.
Takae Miyasaki foi o segundo morador da colônia. Ele chegou em 1933. Hoje, aos 95 anos, seu Takae tem nítidos na memória os primeiros tempos da colônia, embora tenha dificuldades para se expressar, principalmente em português. Apesar de ter vindo bem jovem de Sasebo, em Nagasaki, ele nunca dedicou muito tempo ao aprendizado da língua portuguesa. O pouco tempo que sobrava era dedicado ao estudo religioso, o Budismo, explica seu Takae, com o auxílio da filha Eiko Miyasaki Iwanaga.
Além de ajudar a abrir a mata e fazer surgir as grandes lavouras de café que predominaram na colônia, Takae semeou o budismo em Lorena. Ele vem de uma família de nove gerações de budistas. Para praticar a religião, ele ia até Rolândia, numa viagem difícil e demorada.
TransformaçãoOutro morador da Lorena que, além da cafeicultura ajudou os colonos a manterem a fé foi Iwao Koyama, 83 anos. Ele também veio do Japão e se estabeleceu em Cafelândia (SP), chegando à colônia em 1936. Iwao logo se tornou conhecido por ser o coroinha do padre Manoel Pedra Cintra, hoje arcebispo de Petrópolis (RJ). A missa era rezada em latim e ele era o único que entendia e respondia as orações. Iwao nasceu católico - o pai foi seminarista por muitos anos.
Iwao, como praticamente 100% dos fundadores de Lorena, era colono em Cafelândia. Quando chegou no Norte do Paraná enfrentou muitas dificuldades. Até para comprar sapato tinha que ir até Jataizinho. Aqui não tinha nada. Para fazer compras, a única alternativa era seguir a pé até Cambé e trazer as compras nas costas. Ter uma carroça e um burro, naquela época, valia mais que ter um carro hoje, recorda.
Muita coisa mudou em Lorena. Alguns filhos ou netos dos colonizadores foram tentar a sorte no Japão. O café deu lugar a legumes, frutas, granjas. A estrada que liga Lorena a Bratislava ainda é de terra - a partir daí até Cambé já é pavimentada - mas de fácil acesso. Os colonos que chegaram há mais de 60 anos transformaram a região.


